Ouça um bom conselho: não compre armas.

Comentário veiculado na Rádio Globo em 18/01/2019

O presidente da República, nesta semana, assinou um decreto que reduz consideravelmente as restrições para a posse de armas. Pelos novos critérios, uma família de 4 adultos poderá ter em casa a quantidade de até 16 armas.

A ideia parece boa, mas infelizmente não é.

Há um sólido consenso entre os especialistas em segurança pública, no Brasil e no mundo, com relação ao efeito perverso do aumento da circulação de armas na sociedade. Esse consenso é baseado em centenas de pesquisas elaboradas com dados oficiais de criminalidade, assassinatos, acidentes e suicídios.

Cito agora as principais evidências encontradas nos estudos:

  • Onde há mais armas, há mais homicídios e há mais homicídios de policiais;
  • Onde há mais armas, há mais acidentes domésticos fatais, inclusive e especialmente com crianças;
  • Onde há mais armas, há maior taxa de suicídio;
  • No Brasil, as armas usadas em crimes comuns migram do mercado legal para o mercado ilegal. Isso significa que criminosos muitas vezes roubam armas legais para praticar crimes.
  • A presença de uma arma amplia muito a chance de uma discussão banal terminar em assassinato.
  • Não há nenhuma evidência de que mais armas diminua a propensão de criminosos a cometerem atos ilícitos.

Essa discussão é especialmente relevante para a nossa região. Uma pesquisa do IPEA revelou que a microrregião de Barbacena é a segunda do país com a menor quantidade de armas em circulação. Por isso, a nossa região é também uma região pacífica. A mesma pesquisa mostrou que a taxa de homicídios por armas de fogo na micro Barbacena era mais de 10 vezes menor que a média brasileira.

A conclusão que se pode tirar das evidências científicas é que a posse de uma arma apenas deixa a sua residência e sua família e também o seu bairro, sua cidade e sua região mais vulneráveis. Se sua chance de morrer ou de se tornar um assassino cresce tanto quando você tem a posse de uma arma, esse é um ótimo momento para pensar e para não comprar uma.

Para saber mais:

Compilado da Universidade de Harvard: Mais armas = mais homicídios

Relatório do Instituto Sou da Paz: De onde vêm as armas do crime apreendidas no Sudeste?

The Economist: O que funciona para reduzir as mortes por armas de fogo

Dossiê Armas, Crimes e Violência: o que nos dizem 61 pesquisas recentes

The economist: Superstição ajuda a explicar como as pessoas pensam sobre a legislação armamentista.

Pesquisa IPEA: Armas de Fogo, Crimes e o Impacto do Estatuto do Desarmamento

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