Cultura em baixa na região

Comentário veiculado na Rádio Globo Barbacena e no Jornal Barroso em Dia em 11/01/2019

Na última quarta-feira (09/01/2019) o Museu de Cabangu anunciou o fechamento de sua sede em Santos Dumont. O motivo alegado foi a dívida trabalhista com os funcionários que preservam o acervo da casa onde nasceu o inventor e pai da aviação. A prefeitura confirmou o atraso nos repasses e justificou a descontinuidade como consequência da dívida do Governo de Minas com os municípios.

Museu de Cabangu em Santos Dumont-MG

Esse episódio não é o único sinal do descaso com a cultura sandumonense. A nota do município no ranking do ICMS Cultural é um pífio 1.8. A título de comparação, a nota de Barbacena é 5 e de cidades históricas, como São João del Rei, é de 18.

O ICMS cultural avalia critérios como investimento público, tombamentos e registros de bens culturais. A nota dos municípios serve de critério para a distribuição de recursos estaduais nessa área.

Apesar das diferenças intrarregionais, a realidade é que o descaso com o patrimônio histórico, artístico e cultural é mais a regra que a exceção em nossa região. Basta tomarmos o exemplo do espólio da rede ferroviária Oeste de Minas, um patrimônio centenário e de grande valor arquitetônico. Em Prados, o belo casarão da antiga estação de trem encontra-se hoje em ruínas. Em Barroso, a construção apenas está de pé porque é mantida pelas pessoas que passaram a habitar nela.  

Estação Ferroviária de Prados-MG (fev de 2017)
Estação Ferroviária de Prados-MG
Inauguração: 28/08/1881
Desativação: 1984

Falar em patrimônio é falar em turismo, uma indústria poderosa, que gira a economia de forma sustentável e que pode gerar empregos em grande quantidade e qualidade. O Governo Federal mantém atualizado o Mapa do Turismo, que classifica as cidades segundo potencial e atração de visitantes. O conceito A é o maior e o E o menor. A nossa região já recebe muitos turistas, pois temos aqui uma das únicas cidades do Estado com conceito A – Tiradentes – e temos ainda importantes cidades com conceito B, como São João del Rei, Lima Duarte e Carrancas. Para que os benefícios do turismo possam se espalhar por outras cidades é fundamental que elas tenham mais atenção e cuidado com a própria história e a própria cultura. Mudar essa realidade não é papel apenas do poder público. Uma cidade apenas começa a fazer parte da lista do ICMS Cultural e do Mapa do Turismo quando tem conselhos municipais de cada área criados e funcionando. Se a sua cidade ainda não os tem, é hora de cobrar do seu vereador e de participar.

Antônio Claret para Rádio Globo.  

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