Crack: o que fazer?

A reportagem especial da última edição impressa do Barroso em Dia revelou que a cidade permanece em sinal amarelo no mapa da droga. Os depoimentos apresentados revelam o poder de adição e os impactos profundos, físicos e psíquicos, que sofrem os dependentes químicos e, consequentemente, também seus familiares e amigos. O poder público e a comunidade precisam estar alertas para evitar que essa epidemia aqui se instale. Nesse contexto, a pergunta que fica no ar é: o que fazer?

Muita coisa tem sido tentada, de tempos em tempos, para tratar os dependentes químicos e para evitar o surgimento de novos usuários. A Polícia Militar investe no Proerd, as igrejas abordam o assunto, as escolas buscam educar, o Governo Federal faz campanha na TV, os Caps (Centro de Atenção Psicossocial) oferecem suporte, as comunidades terapêuticas tratam os dependentes… O nível de sucesso dessas iniciativas varia, no tempo e no espaço, mas, no computo geral, o que se sabe é que a epidemia continua avançando.

Em uma tentativa ousada, os pesquisadores do Departamento de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais desenvolveram e devem começar a testar, ainda neste ano, uma vacina contra o princípio ativo do crack e da cocaína. Os testes de laboratório, em ratos, já se mostraram eficazes. Caso a vacina se torne viável nos próximos anos, ela pode se transformar em uma ferramenta poderosa na diminuição da dependência química. Eliminar a dependência com relação à tais drogas, porém, não soluciona, de forma automática, o conjunto de fatores psicossociais que concorrem para gerar a dependência. Assim, não enfrentar tais fatores, pode resultar apenas na substituição de uma droga por outra ou outras drogas.

A resposta à pergunta título da coluna, portanto, é que não existe resposta fácil, nem mesmo uma vacina pode fazer o problema desaparecer. O que devemos, enquanto sociedade e poder público, é continuar buscando alternativas que informem melhor os cidadãos sobre os perigos das drogas, inclusive dos medicamentos e do álcool. Devemos ainda enfrentar, em conjunto, os desafios psíquicos da modernidade (como solidão, depressão e ansiedade) que ampliam a nossa vulnerabilidade e propensão ao uso de entorpecentes, estimulantes e outras drogas. Uma epidemia como essa é sinal de uma sociedade doente e é justamente como coletividade que devemos encarar esse desafio.

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