Tempo de temperança

O país e a cidade vivem um momento de crise e essa crise tem deturpado a nossa visão da realidade e tem nos feito esquecer de sentidos, sentimentos e valores importantes. Na direção que estamos seguindo é bem possível e até provável que saiamos dessa crise piores que entramos. Para evitar que isso aconteça, é muito importante que todos nós, cidadãos barrosenses, tenhamos responsabilidade e calma para julgar as informações disponíveis.

Ter responsabilidade significa, em primeiro lugar, evitar a tentação de julgar o passado com base em informações do presente. É inútil e de má fé, por exemplo, criticar aqueles que votaram ou apoiaram determinado candidato ou partido nas eleições de 2014 com base em informações que vieram a público em 2017. Aliás, é sempre bom lembrar que, apesar de muitos políticos e personalidades estarem “preventivamente” presos, ninguém foi ainda julgado e condenado pela justiça.

É atitude responsável, também, não perdermos de vista a noção de proporcionalidade. Por mais que existam laços entre as elites políticas locais e as estaduais e nacionais, nossos políticos são peixes minúsculos neste oceano. Seria muito perigoso, por exemplo, sugerir que doações de campanha feitas nas eleições municipais de 2016, por políticos ou partidos nacionais envolvidos em esquemas de corrupção, configurassem participação de barrosenses no sistema.

Assim, é preciso, mais do que nunca, saber ler as informações dos jornais e das redes sociais. É fundamental conseguir discernir entre verdades e inverdades, entre fatos e versões e saber julgar a realidade pelo que ela realmente é e não pelo que as nossas paixões e preferências partidárias gostaria que fosse. É crucial, ainda, sabermos julgar as nossas próprias posições e os nossos grupos e candidatos tradicionais, não para que nos arrependamos dos votos e apoios do passado, mas para que reorientemos as nossas posições no futuro.

Nós somos uma cidade pequena, nós nos conhecemos bem, nós estudamos nas mesmas escolas e frequentamos os mesmos lugares. Essa desconfiança generalizada não pode nos transformar em juízes injustos e não pode envenenar as nossas relações e nos tirar a razão. É tempo de temperança e, se soubermos tê-la, poderemos sair dessa crise melhores e mais confiantes em nós mesmos, nas nossas capacidades e no nosso futuro.

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