Maconha

A reportagem do Barroso em Dia sobre o uso da maconha em Barroso despertou, no nível local, um debate muito quente e muito presente no mundo todo. Afinal, qual é o verdadeiro mal causado por essa droga? Ela serve de “passaporte” para outras drogas? Essa questão deve ser tratada como um problema de polícia? É preciso discriminar e condenar os usuários? Usá-la em público é “legal”?

Durante muito tempo a maconha foi vista como um grande problema social, não por sua extensão, mas pelo suposto dano provocado. Pais e mães acreditavam que os filhos que experimentassem a droga estariam para sempre condenados à marginalidade. Essa visão, decorrente da falta de informação, cedeu lugar a uma abordagem bem mais branda sobre o problema. A maconha hoje não provoca mais o terror que um dia provocou. Em grande parte, essa mudança é decorrente da difusão de informações. Hoje já se sabe, por exemplo, que seu dano e seu potencial de vício são muito menores se comparados às drogas disponíveis no mercado regular, como o álcool e o cigarro. Já se sabe também que essa droga possui uma gama enorme de usos medicinais e terapêuticos, inclusive no tratamento do câncer.

As consequências mais nefastas para a nossa sociedade no que tange a maconha, portanto, não são decorrentes de seu uso em si, mas da forma como tentamos banir e reprimir tal uso. Ao insistirmos no estigma e enfrentarmos a questão como se essa fosse um problema de polícia estamos incentivando um ciclo vicioso que endurece o tráfico, amplia o risco e transforma o Brasil em um dos países mais violentos do mundo. Hoje já existe um consenso entre especialistas sobre a necessidade de se abordar o uso de toda e qualquer droga pela via da prevenção e do tratamento médico e não pela via da repressão e da prisão. Para que as sociedades possam chegar nesse patamar de civilização, a descriminalização e a legalização de drogas leves como a maconha são passos importantes e, inclusive, recomendados por instituições como a Organização Mundial de Saúde.

No mundo todo uma série de experiências bem-sucedidas têm revolucionado a nossa forma de abordagem da questão. Nos Estados Unidos a maconha já é legalizada em uma série de estados. Na América Latina, o Uruguai foi o país pioneiro. Na Europa, o país líder é Portugal que descriminalizou o uso de todas as drogas e criou uma política de saúde pública voltada para o apoio e recuperação dos usuários. Os resultados revelam queda no consumo, nos danos provocados pelo consumo e, principalmente, na violência decorrente do tráfico. No Brasil, o presidente Fernando Henrique Cardoso é o porta voz da campanha por uma abordagem mais humana. É preciso quebrar o tabu com relação às drogas.

Aqueles que se propuserem a um exercício de futorologia e observarem a experiência nacional e internacional, poderão apostar que, no máximo até a próxima década, a maconha estará legalizada no Brasil. Até lá e mesmo depois, porém, é preciso que os apreciadores da erva respeitem as opiniões em contrário e evitem fumar em público. Os comentários dos barrosenses incomodados com a prática são pertinentes. Legalizar o uso de uma droga não pode significar incentivar o uso da mesma. Em alguns dos países citados no parágrafo anterior é proibido fazer o uso de quaisquer drogas em público para que esse ato não seja “normalizado” e para que a prática não gere incentivos para ninguém. Nos Estados Unidos, por exemplo, é expressamente proibido caminhar pelas ruas com uma lata de bebida alcoólica aberta e à vista. A intenção é justamente evitar que mais pessoas imitem esse comportamento e usem e abusem dessa que é, ao lado do cigarro, a droga que mais mata no mundo.

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