Adeus 2016

O ano de 2016, no geral, foi um ano muito ruim para o mundo, para o Brasil, para Minas Gerais e para Barroso também. É verdade que as consequências e repercussões desse ano ainda perdurarão por meses, talvez anos, afinal não é possível acordar no dia primeiro de janeiro em um mundo diferente. Por outro lado, a sensação de recomeço que uma simples mudança no calendário nos traz é alentadora e renova as nossas esperanças e energias.

Nesse ano observamos, passivos e perplexos, a um conjunto de decisões que significaram enormes retrocessos do ponto de vista da ordem global vigente. O mundo que emerge do Brexit, da decisão negativa do referendo de paz na Colômbia e que será conduzido pelas mãos de Trump é um mundo mais intolerante, menos integrado, menos solidário e mais belicioso e arriscado. Em meio a esse caldo de cultura, será cada vez mais difícil oferecer respostas satisfatórias para o drama humanitário dos refugiados ou para a guerra síria.

No Brasil, tivemos nosso segundo impeachment em menos de 3 décadas e a situação política, emoldurada por um ativismo judiciário sem precedentes, parece se deteriorar a cada dia. As reformas propostas não empolgaram e a economia segue estagnada como nunca antes. O Estado de Minas Gerais, por sua vez, encontra-se em situação falimentar e mostra-se incapaz de investir ou oferecer qualquer salvaguarda para que os mineiros possam enfrentar com mais tranquilidade as tempestades nacionais e internacionais.

Até mesmo Barroso, que parecia imune à crise dado o confortável colchão financeiro propiciado pelos investimentos da Expansão, mergulhou em incerteza nessa reta final de 2016. A gota d’água, que riscou a palavra “credibilidade” do dicionário da administração pública local, foi o imbróglio vexatório de cortar salários antes das eleições e devolver após.

O caos não irá embora junto com 2016 e o ambiente continuará árido e difícil, mas é responsabilidade de cada um de nós fazer um ano novo diferente. Todos devemos buscar a paz e o equilíbrio para, então, fazer a diferença no mundo. Para inspirar a mudança e ajudar a renovar a esperança, encerro com o toque sempre admirável de Carlos Drummod de Andrade.

Feliz 2017!

 

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade , “Receita de Ano Novo”. Editora Record. 2008.

 

 

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One Comment Add yours

  1. Muito boa a retrospectica de Antônio Claret!

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