Depois da expansão

BeD
Fotografia: ortopolis.org.br

 

Foi concluída ontem a expansão da, agora, LafargeHolcim em Barroso e inaugurada a nova Fábrica. Sob a ótica econômica, o empreendimento foi capaz de movimentar o mercado local, com destaque para o imobiliário, e inundar os cofres públicos com recursos extras. Por um lado, com o potencial de produção triplicado, ainda que por enquanto adormecido devido à crise nacional, o empreendimento poderá continuar gerando importantes divisas. Por outro lado, sob a ótica da responsabilidade cultural, ambiental e social, a empresa segue devendo à cidade.

Em 1962, em seu livro “Capitalismo e Liberdade”, Milton Friedman argumentou que a única responsabilidade social das empresas deveria ser para com seus acionistas e que o objetivo da firma deveria ser o de maximizar seus lucros. Essa é uma idea-força do liberalismo clássico, que acredita que a sociedade se beneficia mais quando empresas e pessoas se dedicam a fazer aquilo que fazem de melhor. Nessa linha, tornou-se clássico o discurso de Margaret Thatcher afirmando não existir “dinheiro público”. A primeira ministra britânica advogava pela ausência do estado na economia e pela expectativa dos benefícios sociais dessa liberdade.

Como contraponto, correntes da filosofia política buscam enxergar a complexidade das relações mercado-estado-sociedade na produção de resultados econômicos e sociais. O “lucro” de uma empresa com o LafargeHolcim, portanto, depende de uma série de fatores, a começar pela disponibilidade da matéria prima (recursos finitos) disponíveis nos solos de nossa cidade. Conrad Hilton, fundador da rede de hotéis que leva seu nome, disse certa vez que “nada como a paz para os negócios”, em outras palavras, nada como a garantia de segurança, a democracia e o funcionamento das instituições do Estado para a prosperidade dos negócios. As empresas beneficiam-se ainda da educação pública, da geração de conhecimento e inovação nas universidades, da infraestrutura de transportes e, não raras vezes, mais diretamente ainda pela via dos empréstimos e subsídios públicos.

A seguir por essa linha, e contrariando a recomendação do liberalismo clássico, faz sentido que empresas de peso como LafargeHolcim atuem para o desenvolvimento de Barroso e que o façam em parceria com os poderes públicos e em sintonia com os reais interesses da sociedade, evitando quaisquer unilateralismos. É precisamente nesse ponto que precisamos ainda avançar. As linhas preferenciais de atuação da empresa são demasiado rígidas e insensíveis ao apelo da sociedade pelo investimento em outras áreas, como a saúde, por exemplo. Além disso, mesmo as iniciativas de destaque dos últimos anos, como o Projeto Ortópolis, o Festival de Teatro e o Festival Barroso Cultural parecem ter perdido fôlego. A empresa também nunca concluiu o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado para o reflorestamento de parte da mata ciliar do Rio das Mortes. O desafio atual e das gerações futuras é, portanto, o de equilibrar e harmonizar a presença desse importante investimento com o desenvolvimento local. Essa parece ser a única saída para a geração de sinergias positivas, pois o reinvestimento social é uma condição para a expansão dos lucros da própria empresa e de seus acionistas e, principalmente, para a garantia de uma vida melhor para todos.

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