Bicho também é gente*

street-dogs-1309344O problema dos animais de rua é uma questão adormecida em Barroso. Ela não foi debatida nas eleições e, pelo visto, não faz parte do planejamento presente ou futuro da cidade. Não se conhece nenhum tipo de política pública local para os animais de rua, em especial, para os cachorros. A evidência do problema contrasta com o silêncio que se faz em torno do mesmo. As pessoas percebem e ficam incomodadas, alguns dão abrigo, alimento, afeto, outros batem ou fazem coisas piores. Não há, entretanto, nenhuma manifestação clara e organizada da sociedade e dos poderes públicos para que essa situação seja amenizada.

Basta passar pelo centro da cidade, ou qualquer outro bairro, para se observar verdadeiras matilhas perambulando pelas ruas. Não é raro também observar cavalos, bois, vacas e gatos. Os animais vagam sem rumo, sem comida, sem lar e, na maioria das vezes, sem sequer o mínimo de compaixão de quem observa. Em meio ao descaso os bichos permanecem lutando pela sobrevivência, sujos, machucados e doentes. Como conseqüência do nosso descaso, eles se transformam, também, em riscos potenciais para a saúde pública e o meio ambiente urbano.

A solução para este problema, portanto, é uma questão de qualidade de vida e dignidade, humana e animal. É fundamental que o poder público possa garantir uma atenção digna a esses seres vivos, que inclua cuidados básicos, banho, vacina e, principalmente, esterilização. O ideal seria, se possível, a construção de um canil municipal como solução definitiva, além de multa e forte fiscalização para os donos de animais de grande porte que pastam nos jardins da cidade.

Não é possível avançar negligenciando problemas tão crônicos como o dos animais de rua. A demanda por uma cidade melhor é também uma demanda por melhores condições de vida para todos os seres vivos que compartilham deste mesmo ambiente. Se o problema é tão evidente que basta andar pelas ruas para perceber, o mesmo não se pode dizer sobre a iniciativa de mudança. As pessoas precisam se responsabilizar e se mobilizar, cobrando e se fazendo presente nas redes virtuais e presenciais. Se nós, enquanto sociedade, e o poder público não conseguirmos encontrar soluções para este problema tão pontual e simples, ainda que urgente e importante, certamente não haverá solução possível para tantos outros problemas, ainda mais urgentes e mais importantes.

*Publicado originalmente em novembro de 2012.

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