Adeus ano novo, feliz ano velho.

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Abrir a página do Barroso em Dia na primeira semana de 2016 e ler a “novidades” foi como embarcar em uma retrospectiva do terrível ano de 2015. No primeiro dia útil a cidade acordou espantada com mais um assassinato e, no último, ficou chocada com mais um acidente grave. Dentre todos os problemas públicos, aqueles que mais nos deixam consternados são os que afetam diretamente e encurtam a vida das pessoas, por isso, temas como saúde, violência e trânsito são tão importantes e tão urgentes. Neste post, focaremos o tema da violência.

A pergunta que surge imediatamente diante dos fatos é: por que não conseguimos amenizar problemas que, ano após ano, nos incomodam tanto? As respostas a essa pergunta não são triviais, mas algumas hipóteses podem ser levantadas: i) deixamos de fazer muitas coisas que poderíamos fazer e ii) continuamos fazendo coisas erradas que não só não resolvem as questões, como pioram o quadro geral.

Há um mês a cidade se reuniu na Câmara, em audiência pública, para discutir o tema da segurança. O medo natural das pessoas, sobretudo das pessoas da zona rural, com a explosão de violência no município fez com que a proposta da “autodefesa” e do “armamento dos cidadãos” ganhasse adeptos. Esse é um bom exemplo de algo que podemos fazer mais, porém que, ao fazermos, pioramos a situação. Existe uma série de estudos que demonstram com clareza a correlação entre a quantidade de armas e o número de assassinatos e suicídios. Os Estados Unidos são um país onde esse é um problema endêmico e, não por acaso, o Presidente Obama tem empreitado uma verdadeira cruzada para aprimorar o controle sobre a posse e o comércio de armas. No Brasil e em Barroso essa correlação não é diferente. Ainda em dezembro, apenas uma semana após a audiência pública, a cidade se deparou com mais uma morte violenta de um conterrâneo, aparentemente uma brincadeira, justamente em uma localidade da zona rural e justamente provocada por uma arma de fogo.

Para além da ampliação da posse de armas, há ainda outras atitudes que quanto mais as adotamos, mais agravamos o problema. Basta uma mirada em nossas cadeias e uma análise da nossa política sobre drogas para percebermos que, tentando reduzir, estamos na verdade ampliando cada vez mais a violência. Por outro lado, podemos e devemos ter atenção também àquelas coisas que não estamos, mas deveríamos estar fazendo. É fundamental que entendamos que a recuperação de espaços públicos abandonados – como, por exemplo, a Praça Gustavo Meireles -, bem como o aprimoramento da iluminação pública são também políticas de segurança. Devemos ainda empoderar o Conselho Municipal e criar redes de vizinhos protegidos, investir em tecnologia e aplicativos para smartphones e envolver as esferas da educação, assistência e saúde na criação de uma cultura de paz na cidade.

Os desafios são enormes. A violência em Barroso vem crescendo dia a dia e as pessoas estão, com razão, com medo. É provável que a cidade siga enfrentando ameaças constantes nos próximos anos, pois o atual contexto social, econômico e demográfico do país não é nada favorável. A solução para o problema, porém, passa por um exame profundo das nossas atitudes e das atitudes dos poderes públicos. É preciso, sobretudo, mudar, fazer diferente e fazer mais. Só assim mereceremos um ano novo de verdade.

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