Viver Maputo, viver Moçambique

Neste post relato algumas curiosidades sobre Maputo e Moçambique. O post pode ser atualizado a qualquer momento. Ao final, seguem algumas fotos. Comentários são muito bem-vindos!

 

Trânsito: dirige-se aqui na mão inglesa. Diz-se que é influência da África do Sul.

Trânsito 2: além dos táxis, circula pelas ruas os tuc tucs, motinhas adaptadas para levar mais passageiros.

Trânsito 3: o transporte público clandestino-legalizado conta com umas vans bastante precárias que levam muito mais gente que a lotação máxima permitiria e andam sempre correndo e fazendo maluquices como furar o sinal vermelho para competirem por passageiros.

Trânsito 4: além das vans, tem também uns caminhões que andam abarrotados de gente na caçamba. Imagino que muitos acidentes devem acontecer…

Idioma: o gerúndio não existe no português falado aqui (na verdade nem em Portugal). Todos estão sempre a falar, nunca falando.

Idioma 2: são dezenas as línguas faladas em todo o país. O português acaba funcionando para dar unidade à comunicação, mas não são todas as pessoas que falam o português. Aprende-se a língua oficial nas escolas, não em casa. Algumas vezes, as pessoas parecem falar com dificuldade, como quem está aprendendo a falar uma língua estrangeira.

Idioma 3: nota-se a influência do inglês nos oks e yeahs falados e também no take away (tudo bem, o nosso é delivery), nas shoots (fotos)…

Idioma 4: Por conta das novelas, o português brasileiro acaba sendo muito bem compreendido.

Idioma 5: Parece existir também uma influência francesa. Café da manhã aqui é “pequeno almoço” (parece que em Portugal também e…) e o centro cultural franco-moçambicano é uma das principais atrações.

TV: A Globo faz muito sucesso por aqui (aqui e em mais centenas de países pelo mundo). São várias novelas passando ao mesmo tempo. As novelas são assistidas e  admiradas inclusive pelos homens de todas as idades.

TV 2: A Globo também produz uma programação especial para África, como o programa “conexões” sobre cultura local (o que assisti foi gravado em Luanda, mas parece ser itinerante)

Religião: a Igreja Universal e a Assembleia de Deus e os pastores brasileiros fazem muito sucesso. Os cultos passam na TV (a Record também tem sua subsidiária em Moçambique) e estão sempre lotados.

Religião 2: a quantidade de muçulmanos chama a atenção. O país passou a fazer parte da comunidade de países muçulmanos e nomes como Abdul aparecem na latinha de coca.

Religião 3: católicos (ou apostólicos, não entendi a diferença) são ainda a maioria, mas além dos evangélicos (que mais crescem) e muçulmanos, existe também cristãos gregos ortodoxos (a igreja é muito bonita) e outros. Perguntei sobre umbanda (santeria?), mas as pessoas não souberam dizer. Certamente existe, pois as origens são daqui (África), talvez seja conhecida por outro nome.

Politica 1: a democracia aqui acontece via disputa entre FRELIMO e RENAMO, por acaso as duas forças que lutaram por 16 anos na guerra civil.

Politica 2: A FRELIMO é o partido majoritário, mas a RENAMO reivindica a vitória nas urnas nas eleições passadas (2014). A crença é tão grande que o líder está a viajar o país dando curso de gestão pública e preparando os correligionários para assumir o poder.

Política 3: Em realidade, a minha impressão é de que a RENAMO parece querer ainda hoje a divisão do país (ou pelo menos mais independência para as províncias) para que controlem as regiões do norte onde o partido é mais forte.

Política 4: Não existe legislação que exija a retirada da propaganda das ruas. Até hoje (8 meses depois das eleições) as ruas estão tomadas pela propaganda do presidente eleito, Nyusi. Parece não existir também limite para o tamanho e a forma da propaganda.

Política 5: Apesar de ser uma regra estranha para os padrões brasileiros, creio que acaba cumprindo uma função pedagógica, pois o voto e facultativo e ouvi muitos relatos sobre pessoas que não sabem quem seria o atual presidente.

Pobreza 1: Apesar de ser um país muito mais pobre que o Brasil, não se vê tanta população em situação de rua, pelo menos não em Maputo.

Pobreza 2: A abordagem dos vendedores de artesanato é forte, mas não se compara com o que se vê no Peru ou Cuba (países muito mais turísticos também), por exemplo.

Urbano 1: Os nomes das ruas são incrivelmente comunistas – Vladimir Lenine; Karl Marx; Frederick Engels; Ho Chi Min; Salvador Allende… A experiência comunista ficou marcada.

Urbano 2: É bem difícil caminhar pela cidade, as calçadas são irregulares ou de terra e não é raro ter que desviar das valas regras.

Economia 1: o país tem  experimentado um forte crescimento (7% aa) e uma inflação baixa (3% aa). A construção civil se destaca e as gruas estão por toda parte em Maputo.

Economia 2: os preços, entretanto, são geralmente altos. Uma refeição com bebida ou um trecho curto de taxi não saem por menos de 500 meticais (50 reais). A diária em hotel razoável sai por 400 reais.

Economia 3: o investimento chinês no país é impressionante. Construíram o principal estádio de Maputo, estão construindo o maior hotel e um sem número de estradas, escolas, casas…

Economia 4: foi uma surpresa o número de hotéis, bares e restaurantes “word class”.

Emigração: os moçambicanos estão sofrendo forte perseguição (xenofobia) dos sul africanos. O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, esteve em Moçambique esta semana e aproveitou para pedir desculpas pelos atos.

Imigração: os chineses são cada vez mais numerosos em Moçambique. Nas ruas as pessoas sempre reclamam que da frieza dos recém chegados. Parece que são muito “self centered” e trabalham especialmente na construção civil.

Saúde: plano de saúde e um artigo de luxo por aqui. Quase 15% da população tem aids e a malária é um problemão. Os agentes comunitários de saúde chamam agentes polivalentes e levam principalmente o teste da malária e o medicamento para as comunidades rurais.

Clima: o clima é bem parecido com o do Brasil. O paralelo é o mesmo de São Paulo. Neste mês de junho chega a ser friozinho.

Culinária: as comidas típicas geralmente são muito apimentadas. Os frutos do mar também são muito presentes e o coentro é um tempero-chave. A correspondente da culinária local ao nosso frango ao molho pardo e o molho a base de amendoim que pode acompanhar a carne de vaca ou a carne de frango são muito bons.

Culinária 2: o mercado do peixe é uma atração à parte. É bem movimentado e fica bem perto da praia. Os peixes são frescos, porém não ficam refrigerados (imaginem o cheiro). As lagostas e os caranguejos ficam vivos. Para quem quiser comer no local, é só escolher e o restaurante anexo prepara.

Natureza: o passeio pelo Kruguer é imperdível, mas eu perdi. Pelo menos desta vez. O meu visto é de entrada única e o parque fica na fronteira com a África do Sul, logo…

Segurança: a polícia anda pelas ruas com armas de grosso calibre, é proibido caminhar pela calçada do prédio da Presidência da República e o presidente circula com um aparato de segurança estilo Estados Unidos.

Imprensa: o principal jornal – pelo menos o que eu mais gosto – é “O País”. O jornal acaba de completar 10 anos e parece um pouco alinhado com o governo, nada exagerado.

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Propaganda do Presidente eleito em novembro de 2014 – Filipe Nyusi
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Família moçambicana passeando pela praça da revolução
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Moçambique: único pais a carregar na bandeira a imagem de um fuzil kalashnikov ak 47
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Contrastes de Maputo
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Samora Machel – Dirigente máximo da revolução moçambicana e fundador da Republica Popular de Moçambique
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