Tempos Difíceis

bombeirosNão há como não se sentir devastado pela tragédia que assolou Barroso no sábado. Nós somos uma cidade pequena diante da imensidão do mundo e de cidades até mil vezes maiores que a nossa, somos poucos, sim. Como poucos, somos também amigos e experimentamos uma ligação entre nós que as pessoas das grandes cidades talvez não compreendam. Nascer e conviver no interior, em Barroso, é uma experiência única. Por isso, quando uma tragédia leva a vida de 5 crianças, nós todos sofremos, sentimos a amargura, nos colocamos no lugar e emprestamos nossa solidariedade à família.

É verdade que o sentido de humanidade aflora e nos afeta sempre que nos deparamos com situações limite, como o terror do caso do menino Bernardo, que, ao que tudo indica, foi assassinado pela madrasta no Rio Grande do Sul. Quando acontece perto de nós, entretanto, o efeito se multiplica. Ainda que indiretamente, todos temos alguma referência sobre quem eram as crianças e quem são os familiares, conhecemos o Jardim Europa, somos amigos de algum vizinho. É terrível saber que algo tão doloroso tenha acontecido tão perto.

A cidade inteira vive o luto e o dia 26 de abril será para sempre lembrado. Ao lado do luto, paira também a indignação. Algumas questões têm sido levantadas pelos barrosenses desde então: A tragédia poderia ter sido evitada? A existência de uma unidade do corpo de bombeiros no município é factível? Ela teria minimizado os danos? O Samu demorou? Seria razoável uma vistoria nas casas para evitar futuras tragédias? Qual o papel dos poderes públicos? Tentar responder a essas questões de imediato pode nos induzir ao erro e a cometer injustiças. É preciso debater com serenidade sobre o fato e aguardar o laudo da perícia para uma melhor compreensão do ocorrido.

A tragédia de sábado se junta a uma série de outros acontecimentos dramáticos vivenciados em Barroso nos últimos dois anos. Já são pelo menos 10 mortes por causas externas violentas e traumáticas. O fato é que a cidade têm vivido um clima de baixo astral e profunda dor. O tamanho da responsabilidade dos poderes públicos varia de acordo com as circunstâncias de cada caso. Da mesma forma que a catarse coletiva e a experiência do luto são fundamentais neste momento, é crucial também debatermos sobre os acontecimentos, a fim de tentarmos ao máximo evitar que novas tragédias aconteçam.

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