Reflexões sobre as próximas eleições presidenciais

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Comentários a partir dos resultados da pesquisa ibope desta semana:

A presidente Dilma segue favorita e vem se recuperando aos poucos do baque que sofreu em sua popularidade nas manifestações de junho. A recuperação, entretanto, é mais lenta que o previsto pelo marqueteiro João Santana. As articulações recentes, com Marina se mantendo no páreo, deixaram a reeleição menos óbvia.

  • Aposta: A prisão dos mensaleiros não afetará em nada as próximas pesquisas. Dilma se recuperará um pouco mais (45%) até junho do próximo ano. As novas manifestações na Copa de 2014 voltarão a abalar um pouco a imagem da presidente, mas, se nada de extraordinário ocorrer fora dos gramados, ela inicia o Horário Eleitoral com cerca de 40%. Concordo com Marcos Coimbra, uma derrota da seleção na Copa não afetará a eleição.
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Fonte: Ibope/G1

Para Aécio é uma grande vitória permanecer sedimentado em segundo lugar (no cenário mais provável) e permanecer estável em suas intenções de voto. Isso significa o reconhecimento do PSDB como principal partido de oposição e aglutinador das forças. Significa também a transitoriedade dos votos Dilma-Eduardo-Marina, fator natural dado o campo político dos candidatos, sendo três ex-ministros do Governo Lula.

  • Aposta: Aécio assumirá de vez a candidatura até março e crescerá herdando as intenções de Serra. Formará uma chapa puro-sangue com Aloyzio Nunes para conquistar os votos de São Paulo. Iniciará o Horário Eleitoral na casa dos 20% e vai ao segundo turno. Vencerá os estados do Sul e também São Paulo, Minas e Espírito Santo no Sudeste. Terá um desempenho bom no Centro Oeste e bastante razoável no Norte, sobretudo nas capitais administradas pelo PSDB. Perderá em todo o Nordeste com ampla vantagem pró-Dilma e, apesar do bom desempenho, perderá também na maioria dos estados do Norte. A polarização Norte-Sul das últimas eleições tende a se repetir e as eleições serão decididas pela vantagem que um e outro conseguirem nos estados em que vencerem.
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Eleições 2010

Serra oscilou dentro da margem de erro e no cenário em que é cogitado aparece em segundo lugar. O resultado é reflexo de sua enorme exposição nos últimos 10 anos, tendo sido Ministro, Governador do principal estado e Prefeito da principal cidade do país, além de candidato a presidente por duas vezes. Suas chances de disputar o pleito pela terceira vez, entretanto, são mínimas. Os diretórios do PSDB em todo o país já tratam Serra como passado. Além disso, a sua vantagem sobre Aécio já foi muito maior e hoje vem caindo pesquisa após pesquisa. O candidato também ostenta um dos maiores índices de rejeição entre todos os postulantes.

    • Aposta: Serra irá se candidatar ao Senado por São Paulo.

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      Fonte: Ibope/G1

A instabilidade de Marina é, até certo ponto, surpreendente. Ela caiu em todos os cenários pesquisados, tendo tido o pior desempenho entre pesquisas e entre candidatos. Marina cometeu uma série de erros estratégicos, ficando de fora da política por praticamente 3 anos e perdendo o timing de registro de seu partido, a Rede. Uniu-se a Eduardo Campos no momento certo, quando suas “ações” estavam prestes a despencar no mercado, mas a euforia inicial deu lugar a certa frustração por não terem crescido, ou pelo menos se mantido nas pesquisas posteriores à fusão.

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Fonte: Ibope/G1
  • Aposta: Marina não conseguirá provocar um realinhamento programático substantivo do PSB, perderá a queda de braço com os expoentes do agronegócio no partido e, consequentemente, perderá também seu discurso e sua aura de terceira via. Logo, aceitará ser vice de Eduardo Campos em uma chapa com pouca liga e já bastante desidratada. Ajuda Eduardo a ir bem nas capitais e com o eleitorado jovem, mas nada como foi em 2010, quando venceu em cidades importantes, como Belo Horizonte.
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Fonte: Ibope/G1

Eduardo também perdeu pontos na pesquisa desta semana e vem oscilando abaixo dos 10%. O candidato, entretanto e assim como Aécio, nunca disputou uma eleição nacional, sendo ainda um desconhecido para o grande público, tendo baixa rejeição e grande potencial de crescimento.

  • Aposta: Como soberano no PSB e em Pernambuco, será o cabeça de chapa nas próximas eleições. Deve iniciar o Horário Eleitoral com cerca de 15%. Vencerá em Pernambuco, causando prejuízos importantes para Dilma, uma vez que o Estado é o principal colégio eleitoral do Nordeste. Apesar da derrota, Campos vai se cacifar para 2018 como uma das principais promessas no campo da esquerda.

Por último, vale notar que o número de indecisos chama a atenção. É importante ressaltar, entretanto, que ele é maior no cenário 1, quando são cogitados Eduardo Campos e Aécio Neves. Não por acaso, esse é o cenário onde os candidatos são menos conhecidos. Muito se especula sobre o potencial deste universo de eleitores. Acredito ser pouco provável que tais votos migrem em sua maioria para um único candidato. Eles provavelmente irão ser distribuídos entre todos na proporção de suas forças, talvez menos para Dilma e mais para os candidatos de oposição, mantendo-se ainda um percentual considerável de abstenções e votos em branco e nulos.

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