Vietnã – I

Nesta semana, a convite das Nações Unidas, eu e Ronaldo Pedron estamos debatendo sobre pobreza multidimensional no Vietnã. Os objetivos da missão são: apresentar o exemplo do Programa Travessia do Governo de Minas; debater sobre os desafios da utilização do Índice de Pobreza Multidimensional (IPM); apoiar os formuladores de políticas do país na implementação do método; fortalecer a Multidimensional Poverty Peer Network; trocar impressões e experiências e aprender com os vietnamitas sobre enfrentamento da pobreza.

O objetivo de conhecer mais sobre o país começou a ser cumprido ainda no voo de vinda. A partir de Doha tive a oportunidade incrível de conhecer a família de Filip Gravovac, sérvio radicado em Hanói que também trabalha enfrentando a pobreza na Organização Internacional Adra. Filip e sua esposa Manuela foram muito gentis e nos deram uma carona do aeroporto até o hotel.

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Durante boa parte das 9 horas de voo conversamos muito sobre o sudeste asiático e o Vietnam. Filip ensinou que, assim como no Brasil, a pobreza rural no Vietnam é bastante superior se comparada a pobreza urbana. Nas vilas, boa parte dos pobres não recebe sequer USD 20/mês, o que os impe

de de satisfazer suas necessidades básicas de alimentação. A dieta é baseada no arroz e não sobram recursos e energias para consumir muito mais que isso.

A subnutrição infantil é crônica e consequência da pobreza monetária, mas não só. Segundo nosso amigo, uma das variáveis que explicam o problema seria a ausência  cultura da amamentação entre as mulheres vietnamitas. Baseada nessa constatação, a UNESCO estaria investindo bastante em propaganda para reenquadrar e valorizar o ato de amamentar, impactando assim no atual cenário de desnutrição infantil.

Ainda sobre alimentação, no ambiente rural é muito comum a utilização de madeira para cozinhar.

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Perguntei se isso não impactaria no meio ambiente e fui informado que existe uma lei muito rigorosa de preservação ambiental no país. Lembrei-me ainda que uma das lições de Ho Chi Min era a de que a “floresta vale ouro” e deve ser preservada. De fato, ao sobrevoar a fronteira entre Laos e Vietnã é possível observar um contraste marcante. Os rios que separam os dois países separam também a realidade de um “vazio ecológico” e de uma imensa floresta tropical. Creio que esta preservação se dê também em face da cadeia de montanhas que separa a capital e centro de desenvolvimento econômico, Ha Noi, da fronteira com o Laos.

Nos últimos 27 anos, a partir das reformas econômicas e liberalizantes, o país tem reduzido significativamente suas taxas de pobreza. Dentre os ODMs o pais teve um avanço significativo na meta 1,, tendo alcançado, em 2008, o patamar de 75% De redução da pobreza. No universo urbano, entre 1993 e 2004 a pobreza foi reduzida de 25% para taxas próximas de 3% no espaço rural, reduzida de 66,4% para 25%. O desafio agora é reduzir a pobreza multidimensional, garantido à população acesso adequado à saúde, educação e serviços de infra-estrutura básica. É um grande desafio também garantir que a redução da pobreza se dê na mesma velocidade e para o universo rural e urbano e para os povos de todas as dezenas de etnias que povoam o Vietnam.
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Na conversa de ontem, debatemos também sobre questões de gênero, direitos humanos, mudanças climáticas, turismo, violência, dilemas sociais brasileiros e vietnamitas, economia e muito mais. Esses e outros temas ficam para próximas postagens. Amanhã viajaremos para Ho Chi Min, no extremo sul do país. Nossa agenda na cidade contempla análises e debates sobre ferramentas e métodos de mensuração da pobreza multidimensional.

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One Comment Add yours

  1. Dodong diz:

    Una evidencia un tanto claticibre, cuestionable y tal vez poco confiable. No cabe duda que los diversos instrumentos y actividades para mejorar la Poledtica Social en Me9xico son de los peores fracasos, si a ellos les adicionamos los incrementos en los impuestos, una tendencia a la baja de la inversif3n y un desempleo creciente…Como podemos aceptar que Ernesto Cordero sea nuestro prf3ximo conductor de la Poledtica Fiscal. Acaso dentro del gabinete presidencial o en el sector acade9mico no existen individuos de mayor porte, calidad y trascendencia que un individuo oscuro como e9l.

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