Trânsito na Cidade

imagem trânsito

Artigo originalmente publicado no portal barrosoemdia.com.br em setembro de 2011

 

Quem circulou pela cidade nas últimas semanas pôde perceber uma série de alterações no trânsito de veículos e pedestres. Na Rua da Lagoa os quebra-molas foram reformados; na Praça Sant´Ana foram criadas passagens elevadas para pedestres; em algumas vias passou a ser proibido o estacionamento. Além dessas, novas mudanças ainda estão por vir, a Avenida Genésio Graçano, por exemplo, deve ganhar mais quatro quebra-molas nos próximos dias, haja vista as placas que já estão fixadas no local.

O propósito de toda mudança no trânsito é conferir mais segurança e mobilidade a todos que utilizam o espaço público para se locomover. Uma avaliação da nova realidade do trânsito municipal, portanto, deve respeitar tanto o critério da segurança, ou seja, a convivência harmônica entre pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas, bem como a mobilidade, o transporte ágil e fácil de todos eles.

Do ponto de vista da segurança as mudanças foram positivas. Ainda que sejam muito raros os registros de acidentes causados por excesso de velocidade nas vias onde agora existem mais e maiores quebra-molas, nunca é demais reforçar a segurança. Do ponto de vista da mobilidade, as mudanças já não foram tão positivas. A passagem elevada de pedestres existe, ou deveria existir, para proporcionar aos transeuntes uma travessia mais fácil, principalmente para aquelas pessoas que possuem dificuldades de locomoção: idosos, deficientes físicos e cadeirantes. Se a passagem não possui rampa, ou se não é construída à altura do passeio, não há razão de existir. Dentre as passagens elevadas de pedestres construídas em Barroso, nenhuma respeita os padrões de acessibilidade.

Todos os poderes públicos estão sujeitos ao erro e, a maioria dos erros, como no exemplo das passagens de pedestres, podem ser consertados. Os erros e consertos, no entanto, custam a toda a sociedade e podem, assim como devem, ser minimizados através de decisões mais democráticas e coletivas. Uma maneira de se ter evitado esse problema e melhorado a qualidade e a legitimidade das decisões sobre o trânsito municipal teria sido delegar essas decisões a um Conselho Municipal de Trânsito.

Por ironia, há cinco meses foi sancionada pelo Executivo Municipal, depois de aprovada pela Câmara, a Lei que criou o Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (COMUT). Segundo a lei, deveriam compor o conselho: representantes da administração pública; polícia militar e polícia civil; taxistas; transportadores de cargas; representantes de auto-escolas e demais representantes de associações: ACIB; Associações de Bairros; Associação dos Aposentados; Feliz Idade e OAB. Até hoje a sociedade aguarda a ativação do Conselho pelo Executivo Municipal. Enquanto a sociedade continuar a ter negado o seu direito legal de opinar sobre o trânsito, as decisões vão continuar sendo tomadas de forma menos legítima, menos democrática e menos acertada.

—–

Na semana seguinte à publicação deste texto a Presidente do Legislativo à época, Vereadora Verinha Rodrigues, acionou o Executivo para a efetivação do COMUT, sem sucesso. Até hoje o Conselho, infelizmente, não é uma realidade na cidade.

Por outro lado, após a publicação deste texto, o Executivo paralisou as intervenções que vinha fazendo no trânsito da cidade. Para se ter uma ideia, os quebra-molas da Avenida Genésio Graçado, citados no texto, nunca foram construídos.

Anúncios

Obrigado pelo seu comentário!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s