Turismo e desenvolvimento

tits 8Artigo originalmente publicado no portal barrosoemdia.com.br em junho de 2011

Essa semana os barrosenses receberam uma notícia muito aguardada: foi divulgado pelo site Barroso em Dia o ‘show de julho’. No dia 24 do próximo mês a cidade receberá os Titãs, definitivamente uma das bandas mais importantes da música brasileira das últimas três décadas. Este show é uma das atrações que compõem o 24º Inverno Cultural da UFSJ e é a principal atração do 7º Festival Barroso Cultural, uma coleção de eventos que acontecem no mês de julho e que, desde 2005, transformam a vida da cidade.

A expectativa em torno do Festival e de seus eventos e shows já se tornou algo tradicional na cidade. Pessoas de todas as idades especulam, torcem e fazem suas apostas para próximo show. Aqueles que moram fora se organizam para estarem presentes e convidam os amigos ‘estrangeiros’ para o grande dia. O comércio local aproveita a data, se prepara, investe e vende mais. Os hotéis ficam todos lotados. A juventude ‘baixa’ as músicas do artista e, nas semanas que antecedem o show, não se ouve outra coisa. Quem sabe tocar, aprende algo novo no violão. Centenas e, às vezes, milhares de pessoas vêm das cidades vizinhas. Todos aprendem algo novo sobre aquele estilo musical, seja ele Pop, Rock, Samba ou MPB e juntos vamos dando passos importantes para fora de um universo fechado, crescendo e incorporando novidades ao nosso repertório cultural.

É possível dizer que o Festival mudou a vida da comunidade de Barroso, e para melhor. A cidade vive uma nova era, mais vibrante e de maior desenvolvimento no setor do turismo. Em nada o atual momento lembra aquela cidade desanimada de até 2004. A atual administração municipal possui grande mérito em ter mantido a parceria UFSJ/PMB/HOLCIM, o que possibilitou que a cidade continuasse recebendo novos e grandes shows a cada ano.

A criação deste Festival é um excelente exemplo de como é possível, através da criatividade e do estabelecimento de parcerias, oferecer rumos novos de desenvolvimento à cidade. O mês de julho representa para Barroso uma quebra de paradigmas, um modelo de desenvolvimento pensado por nós e para nós, que acontece via parcerias locais, menos tradicionais para o setor público e que não dependem da benevolência direta de outras esferas de governo ou de deputados quaisquer. É um evento que nos dá orgulho e que já se transformou em nosso patrimônio cultural imaterial.

Apesar da euforia, entretanto, não custa lembrar que, para além de julho, ainda restam 11 meses no ano. É verdade que o turismo e a cultura podem ser respostas muito adequadas em termos de desenvolvimento para outras épocas, como é o caso do Carnaval em fevereiro, do Festival de Teatro em agosto e da Exposição em setembro. A cidade, porém, carece de novos rumos em outras áreas, não só de desenvolvimento econômico, como na indústria e comércio, mas também nas múltiplas dimensões sociais. A comunidade espera dos poderes públicos e do empresariado local ações que quebrem padrões ultrapassados e que revelem novos rumos e novos tempos de mais desenvolvimento, prosperidade e bem estar. O exemplo do Festival deve ser seguido e expandido enquanto proposta genuína de desenvolvimento local sustentável. Afinal, o show não pode parar.

 

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Após o anúncio da expansão da Holcim em 2012 o debate sobre os “novos horizontes para a economia” esfriou. Deixar essa questão de lado e negligenciar a importância e as novas perspectivas para o turismo, a cultura, o comércio é um erro que precisa ser evitado.

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