Caleidoscópio

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Participei na noite de hoje, como professor convidado, do Programa Caleidoscópio da TV Horizonte. Em pauta as questões relacionadas à convivência social. O Programa tem reprise amanhã (terça-feira), 12h. A partir das questões levantadas foi possível discutir sobre problemas relevantes para o Brasil de hoje.

Você acha que nos dias de hoje as pessoas estão mais intolerantes? Por quê? Comente.

A questão da intolerância pode estar relacionada a contextos sociais específicos. Em ambientes marcados pela violência, pela exclusão, pelo rompimento de laços comunitários, entre outros, a intolerância se manifesta e tende, não raramente, a se transformar em agressão ou desentendimentos profundos.

A intolerância pode estar relacionada também a situações sociais específicas. Não é raro observarmos casos extremos de intolerância no cotidiano das grandes cidades, no trânsito, entre vizinhos.  

Um levantamento do Conselho Nacional do Ministério Público feito no início deste ano em 16 estados mostra que a média nacional é de uma morte por motivo banal em cada quatro assassinatos. São brigas entre vizinhos, discussões no trânsito, desencontros no cotidiano de uma cidade. Os números de homicídios no país já assustam por si só: a média é de 150 por dia. Mas o que motiva esses crimes impressiona mais ainda. (Fonte: G1)

– A seu ver, quais são as principais dificuldades de convivência para os jovens? É durante a adolescência? Dentro da família? Entre os amigos? No mercado de trabalho? Comente.

Existe um problema grave e estrutural no campo da educação e qualificação profissional no Brasil que impacta de maneira decisiva na convivência entre os jovens. Segundo o IPEA já são 8.800.000 jovens brasileiros entre 15 e 29 anos que não trabalham, não estudam e não procuram emprego. Essa geração, conhecida como Nem-Nem está perdendo a oportunidade de conviver, gerar laços, viver novos desafios, aprender e se desenvolver.  

– Que influência a individualidade, presente na sociedade contemporânea, exerce sobre a convivência das pessoas? Explique.

A sociedade só existe por meio das interações que as pessoas estabelecem entre si. É preciso que haja convivência para que a solidariedade aflore. Existem mecanismos sociais institucionalizados para a solução pacífica de controvérsias e que podem fortalecer os laços sociais, a democracia é um exemplo. Quando as pessoas não se envolvem, quando existe o isolamento e a noção de que o indivíduo se basta, existe um impacto significativo para a convivência social, com prejuízos inequívocos ao entendimento e à cooperação entre os indivíduos.

 – Os conflitos de convivência sempre existiram? Ou é uma marca mais acentuada dos últimos tempos? Como as Ciências Sociais avaliam isso? Explique

Para as Ciências Sociais os conflitos de convivência, pelo menos do ponto de vista de seus resultados agregados, podem ser compreendidos a partir da análise da conjuntura e das instituições sociais. Isso significa que naqueles lugares onde o Estado esta mais presente, onde as instituições judiciárias funcionam bem, onde existe um sistema de bem-estar consolidado, a tendência é de baixos índices de conflitos de convivência. Do ponto de vista conjuntural, é possível associar períodos específicos como, por exemplo, crises econômicas ou mesmo uma guerra civil, com situações de extrema aridez ao convívio social. 

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One Comment Add yours

  1. Roberto Moura diz:

    Interessantíssimo esse artigo relacionado à sua participação do programa! Fiquei surpreso com sua atuação como sua como professor, pois não sabia do seu mérito em ter galgado essa condição, minhas sinceras congratulações!. Como lhe conheço pessoalmente, admiro seu desempenho e acredito piamente no seu sucesso profissional. Ao contrário disso, desacredito cada vez mais num futuro promissor do nosso país, do modo em que os acontecimentos andam nota-se cada vez mais o desdenho de muitas pessoas quando se trata de melhorias sociais.
    Desculpe a franqueza, mas pelo que percebo, deparo com uma sociedade tendente a piorar cada vez mais (resta saber de quem é a culpa). Não vejo pelos olhos das ciências sociais, até porque não domino o aludido assim como você, mas enxergo pelo lado realístico na qual vivo, infelizmente creio que as pessoas não sabem mais o sentido de convivência harmoniosa, os valores éticos estão cada vez mais escassos, raramente se vê pessoas polidas, equilibradas e ajustadas socialmente. No meu ponto de vista, metaforicamente creio que o ser humano em verdade, não passa de uma praga para mundo, praga controlável!

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