O trabalho e a falta dele

Artigo originalmente publicado no portal barrosoemdia.com.br em fevereiro de 2011

A economia brasileira gerou milhões de empregos nos últimos anos, fator que elevou a taxa de ocupação e reduziu em 31,4% o número de desempregados. Esse sucesso teve um papel importante na vitória da presidente Dilma e tem sido exaustivamente explorado pelo Ministro do Trabalho, Carlos Luppi. A felicidade do emprego, entretanto, está longe de corresponder à realidade para muitos brasileiros, especialmente os mais pobres.

Em estudo divulgado esta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) foi demonstrado que a redução do desemprego não se distribui de forma homogênea por todas as classes. Para os muito pobres (10% da população com menor rendimento), o percentual de desocupados avançou de 23,1% em 2005 para 33,3% em 2010, um crescimento significativo. A partir do gráfico é possível perceber que o desemprego evolui na razão inversa da renda, ou seja, quanto maior a riqueza, menor o desemprego. Dentre os muito ricos (10% da população com maior rendimento), a taxa de desocupação é de apenas 0,9%.

 taxas de desemprego (8)

Esses dados revelam que, apesar do sucesso relativo das políticas de emprego e renda, a desigualdade no mundo do trabalho tem crescido. É cada vez mais difícil para os mais pobres encontrarem emprego e se inserirem de maneira mais autônoma e definitiva na sociedade, aproveitando as oportunidades de cidadania e desfrutando de mais cultura, lazer, alimentação de qualidade, saúde, esportes e tantas outras dimensões faltantes.

A transformação dessa realidade começa com a qualificação profissional e, nesse sentido, o “Sistema S” tem um papel fundamental. Em Barroso, o SENAI, juntamente com o Projeto Ortópolis, têm capitaneado iniciativas importantes de qualificação profissional. Foi também divulgado nesse mês cursos de auxiliar de RH; auxiliar administrativo e garçom, que serão ministrados pelo SENAC.

Todos esses cursos são de qualidade indiscutível e têm taxas de inserção de alunos no mercado significativas. É importante agora expandir as oportunidades para as parcelas da população que mais sofrem com o desemprego, indo até as comunidades mais pobres da cidade e, se for preciso, articulando para garantir-lhes material, transporte e o que mais for preciso para se qualificarem. Não basta crescer e gerar empregos concentrados nas classes mais altas, é fundamental distribuir mais equitativamente as oportunidades, pois país rico de verdade é país sem miséria e sem desigualdade.

—–

O fraco desempenho do PIB brasileiro nos últimos trimestres e as previsões do Ministro Mantega que, até agora, não se cumprem, conduzem a economia brasileira a um cenário de incerteza. 

Anúncios

Obrigado pelo seu comentário!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s