Vamos Falar Sério

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A polêmica sobre a subvenção da Prefeitura ao Hospital demanda alguns esclarecimentos. Vamos aos fatos.

Em 2002 a Prefeitura Municipal de Barroso (verdade seja dita, sob administração Eika) começou a subvencionar o Hospital, instituição que até aquele ano havia atuado sem subvenção regular municipal por 18 anos.

Sobre esse fato é fundamental realizar um explicação. No início dos anos 2000 o Brasil vivia uma transição muito profunda (demográfica, econômica, social, cultural, educacional, etc.) que impactou de forma decisiva na estrutura do Sistema de Saúde. A partir da diretriz da saúde primária (sobretudo através do Programa de Saúde da Família), os brasileiros começaram a demandar menos os serviços hospitalares e a sofrer menos com doenças demandantes de internações de baixa complexidade. Para se ter uma idéia, no ano de 1994 o volume de internações infantis na pediatria do Hospital chegou a 919 crianças/ano. Atualmente interna-se menos de 250 crianças/ano, uma redução aproximada de 75%. Esses resultados devem ser comemorados por todos os brasileiros e por todos aqueles que lutam por uma saúde de qualidade. Os mesmos resultados, entretanto, geram um efeito colateral muito evidente, qual seja o colapso das finanças hospitalares, devido à queda abrupta das receitas do Sistema Único de Saúde, pelo menos na forma como ele atualmente se estrutura (marcadamente subfinanciado). Tal efeito colateral é ainda mais severo se verificarmos as pequenas cidades brasileiras.

Paralelo a esta constatação, o ano de 2001 foi também um ano especial para a saúde pública brasileira, pois foi o ano de entrada em vigor da Emenda Constitucional 29, que obrigava Estados e Municípios a aplicarem percentuais mínimos na área da saúde.

Tais fatos nos levam a uma conclusão imediata (verdade seja dita): qualquer coalizão política que tivesse assumido a Prefeitura em 2001 teria sido obrigada a financiar o Hospital Municipal, afinal essa era uma contingência histórica e constitucional, acima de qualquer disputa ideológica.

Acontece que a transição estrutural verificada no início dos anos 2000 continuou a ser aprofundada nos anos subseqüentes – vale notar que tal transição vem se processando sem o acompanhamento do crescimento do financiamento do SUS –, o que gerou um imperativo categórico às administrações municipais, qual seja o crescente financiamento do Hospital.

O subsídio da Prefeitura ao Hospital, portanto e como havia de ser, não parou de crescer nos anos subseqüentes, acompanhando, ainda que a passos mais lentos, a evolução dos gastos globais do município em saúde. A receita da Prefeitura e as receitas totais destinadas obrigatoriamente à saúde cresceram quase 18 vezes (de 380 mil reais no ano 2000 para 7 milhões de reais em 2013), enquanto os subsídios ao Hospital cresceram a metade, quase 9 vezes (de 5 mil reais/mês para 45 mil reais/mês). Verdade seja dita, foi no segundo ano do mandato do Prefeito Arno que a subvenção parou de ser repassada de forma integral ao Hospital Municipal (alcançando dívida de R$ 205.000 ao final do mandato, no ano de 2009).

Neste ponto da história é fundamental realizar uma consideração: não existem dívidas públicas dessa natureza de pessoas físicas, somente de entes públicos federados. Isso significa que a dívida da Prefeitura para com o Hospital, apesar de ter sido gerada sob administração Arno, foi herdada pela administradora Eika. O indivíduo (pessoa física) que assume o poder público municipal é menor, muito menor, que a instituição (Estado) que administra e é de sua obrigação arcar com todos os ônus e bônus de sua vitória eleitoral. Aliás, nunca é demais lembrar que as pessoas desaparecem, mas as instituições permanecem. Isso significa que era/é compromisso moral da gestora pública atual saudar a dívida da Prefeitura para com o Hospital (com juros e correção monetária), o que não foi feito, até o presente momento.

Logo, temos o seguinte cenário:

– Duração da dívida da Prefeitura Municipal de Barroso para com o Hospital (sob administração Arno): aproximadamente 1095 dias (em 2008 o repasse foi realizado inteiramente via doação da Câmara Municipal)

– Duração da dívida da Prefeitura Municipal de Barroso para com o Hospital (sob administração Eika): aproximadamente 1460 dias (e contando….)

 Vale notar que a dívida gerada a partir da interrupção dos subsídios integrais nos anos de 2006 e 2007 já teria gerado um efeito cascata da dívida (considerando os últimos 2500 dias). Felizmente a engenharia financeira das administrações do Hospital nos últimos anos tem estancado essa hemorragia e impedido uma tragédia de grandes proporções. Não, é claro, sem grandes sacrifícios. Vale notar que 2500 dias de uma dívida de 205 mil reais, à juros correntes, já teria significado a falência de muitas instituições. Vale notar, porém e também, que a força das pessoas que trabalham naquele lugar torna a instituição refratária ao desleixo das administrações municipais, não importando quem pariu ou quem embalou a dívida. Não é fácil, mas da mesma forma que em outras dezenas de vezes, o Instituto Nossa Senhora do Carmo vai dar a volta por cima, a febre vai baixar e os

A questão da dívida pública para com o hospital não é a única em questão atualmente. Nos últimos dias foi destaque nacional a dívida dos precatórios de Barroso. A Prefeitura Municipal deve um montante herdado do passado. Esse valor, ao contrário do valor devido ao Hospital, está sendo pago, ainda que por determinação da Lei.

O debate sobre a dívida das subvenções já foi realizado muitas vezes nos períodos eleitorais passados. Está na hora de esquecê-lo nos palanques e de assumir responsabilidades. Aliás, que aproveitemos o ensejo para esquecermos também a demagogia, a bravata e a hipocrisia.

Voltemos ao presente e continuemos a história.

No ano passado a Câmara, representando o povo de Barroso, debateu, calculou e aprovou o Projeto de Lei N 2414 de dezembro de 2012 que fixava o valor da subvenção em R$ 780.000,00. A sociedade, através de seus representantes, concluiu sobre a importante deste valor para a continuidade do atendimento hospitalar em Barroso. A atual administração, depois de reeleita, decidiu “a todo custo”, negar o repasse desse valor ao hospital. A contra-proposta foi a manutenção dos R$ 540.000,00 de 2012 e o aceno para uma possível elevação em caso de crescimento das receitas. Vale notar que em 2012, pela segunda vez em apenas 5 anos, a Câmara Municipal teve de vir ao resgate da Instituição Hospitalar, doando recursos próprios para a complementação do subsídio municipal ao Hospital.

 Neste ponto vale uma nova digressão.

Entre 2007 e 2012, a inflação no Brasil alcançou 38%, o salário mínimo elevou-se em 64% e a receita municipal aumentou 85,4%, a aplicação municipal total em saúde subiu 190%. Por todo este período, entretanto, a subvenção ao Hospital ficou estagnada (lembrando que  em 2012 a Câmara Municipal complementou o subsídio com R$ 240.000,00).

 O que falta à atual administração é perceber que a existência de um Hospital Municipal é um grande privilégio, o qual custa caro, mas pelo qual vale a pena pagar.

Administrar significa priorizar, administrar a coisa pública significa priorizar o que corresponde aos anseios da população. Se ainda não compreendem a importância de um Hospital para as pessoas, que convoquem um plebiscito e tirem a dúvida.

O que não podemos é continuar na ingenuidade ou na ilusão de pensar que um Hospital custa “o que podemos pagar”. Não! Utilizando de uma metáfora: ninguém pode ter um carro importado na garagem e continuar arcando com custos e impostos de um carro popular. Infelizmente um Hospital não é como um carro e um erro de cálculo pode custar vidas humanas. Se a Prefeitura insistir neste erro, corremos o risco de penalizar as gerações futuras com a piora da qualidade da assistência médio-hospitalar em Barroso.

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29 Comments Add yours

  1. Eula Carrara diz:

    Pensemos menos em política e mais em saúde!

  2. Geraldo Napoleão Neto diz:

    Poxa, isso precisa ser denunciado ao Ministério Publico não???

    1. Calma meu irmão, nem tudo que é imoral é ilegal…

  3. Helio Gomes diz:

    Acho que se depender dessa administração que ai esta vai fechar mesmo, ela nao gosta de Barroso e ta mais do que provado, vira as costas pra cidade e pro povo, so sabe ficar inaugurando algumas obras vindas do psdb do governo do estado, tinhamos era que tirar essa doença do poder…

    1. Hélio, é preciso debater muito, discutir e chamar a atenção das pessoas para os problemas mais sérios da cidade.

  4. valdeci santos diz:

    Atenção autoridades fechar o hospital jamais!!!!!!Barroso precisa muito dele.

    1. Caro Valdeci,
      A sua opinião e o seu manifesto são muito importantes. A política em Barroso nas últimas semanas, de forma resumida, tem se dividido entre os que acreditam que devemos investir o possível em Saúde e os que acreditam que precisamos investir o necessário. O Hospital só permanecerá aberto se vencer a tese dos que acreditam no investimento necessário.

  5. Roberto Moura diz:

    Desde minha pacata infância fui beneficiário do Instituto Nossa Senhora do Carmo. Enquanto moleque, não compreendia as limitações da instituição muito menos a responsabilidade da máquina administrativa da cidade, no fito de manter o único hospital da cidade em condições de atender a população abrolhada nesta terra, minha preocupação era simplesmente ser acolhido e medicinado.
    Embora não tenha pleno conhecimento da seara administrativa, no meu precário conhecimento jurídico, ressalto que o direito a saúde esta esculpido na Constituição Federal como garantias “fundamentais” e necessárias ao convívio social. Creio que não deve ser novidade para o autor porém vejamos;

    Art. 6º São direitos sociais a educação, “a saúde”, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

    Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução dos riscos de doença e de outros agravos e o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

    É notório o encargo do Estado para com as intuições de saúde, não somente em Barroso, mas em todo território nacional. No que tange a administração da cidade, observo a tempo e em silêncio, a árdua peleja entre os administradores públicos e diretores do instituto em manter o estabelecimento em boas condições de funcionamento, apesar dos empecilhos políticos e financeiros.
    Tendo em vista a mazela política em manter a rivalidade em anseio, concordo plenamente com o autor quando cita: “Está na hora de esquecê-lo nos palanques e de assumir responsabilidades. Aliás, que aproveitemos o ensejo para esquecermos também a demagogia, a bravata e a hipocrisia”.
    Não recordo, porém conheço a história e afirmo que a política em Barroso lembra o antigo conflito entre “ARENA X MDB”, não pelos fundamentos partidários, mas pela rivalidade que estorva o bom andamento da gerência pública.
    Então “falando sério”, saliento caro amigo Antônio Claret, que em verdade o problema tão somente é a culpabilidade pelo desleixo com a saúde, mas também a falta de educação que macula o eleitor quando este deveria fazer valer seus direitos. Sendo assim, levando em consideração que os “problemas” são muitos, pouco se faz para que o futuro de novas gerações seja promissor!
    Embora não tenha mais o berço barrosense como foro eleitoral, espero que o privilégio da população em ter o Instituto Nossa Senhora do Carmo não esvaeça, baseado no pretexto de uma má administração pública.

    1. Caro amigo Roberto,
      Obrigado pelo comentário e pela forma sensata, honesta e brilhante com que contribui para o debate.

  6. aurelio diz:

    OS MES DE ABRIL JA ESTA NO FIM E OS FUNCIONARIOS DO HOSPITAL NÃO RECEBERÃO NEM O MES DE MARÇO AINDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    1. Caro Aurélio,
      Não é fácil, a situação é muito complexa, mas vai melhorar!

  7. Willian Dantas diz:

    Caro Antônio Claret,

    Não consegui entender muito bem a sua explanação com relação à dívida do Instituto Nossa Senhora do Carmo, apesar de ter Assessorado Juridicamente a Câmara Municipal de Prados por 10 (dez) anos e meio.

    Como foi dito em seu texto, foi a partir do segundo ano de mandato do ex. prefeito Arnô que a subvenção do Hospital parou de ser repassada, daí pergunta-se? Onde foi aplicado o valor da subvenção, já que o mesmo já estava previsto inclusive na LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias para os exercícios financeiros seguintes?

    E você poderira ou teria condições de informar melhor quais os motivos do não repasse da Subvenção à época?

    Outra coisa que deveria ser melhor esclarecido para a população é o episódio da reforma do Terminal Rodoviário Severino Pereira da Silva, ou seja, na Gestão do ex. Prefeito Arnô, está contabilizado nas contas da Prefeitura Municipal toda a reforma da Rodoviária, sendo que todos os cidadãos barrosenses sabemos que isto só ocorreu de fato na Administração da Prefeita Eika! Você teria condições de esclarecer támbém esta situação para que todos possamos entender melho?

    1. Luiz Gonzaga Moreira diz:

      Você está coberto de razão! Realmente desconheciam por completo os objetivos da Lei de Diretrizes Orçamentária. Foram estes e outros fatos que levaram o município a esta situação critica de hoje. Felizmente a coisa tomou outro rumo a partir de 05/05/2009. A administração, seja ela pública ou privada, prima pela RESPONSABILIDADE com o dinheiro da população – os nossos impostos. O planejamento, o equilíbrio e a transparência pública são os pilares básicos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Pelo comentário em pauta presumo que no passado os administradores realmente desprezaram por completo tal Lei. Lei esta que proíbe os gestores de gastar mais do que arrecada (ENDIVIDAR sem ter recursos para pagar). O Município não fabrica dinheiro, vive dos impostos arrecadados e transferidos. Os problemas sociais crescem em uma proporção muito superior à sua receita, daí a necessidade de um controle maior dos gastos públicos. O desafio passou a ser: “fazer muito com pouco recurso”. É preciso entender que acabou a fase da gastança descontrolada. Talvez seja isto que alguns administradores estão sentindo dificuldades em ajustar às novas formas de gestão. Gastar sem ter recursos para o seu custeio, desviar verbas, etc., foi isto que levou o município de Barroso a esta situação de endividamento, citado no comentário sobre as dívidas do município, e tem mais, o município de Barroso, hoje, está arrecadando aproximadamente R$ 800mil/mês (mensal) em função da forma equivocada de gestão no passado. Imaginem que loucura: criaram diversos compromissos de despesas para o município (sem ter recursos suficientes para custear) e ao mesmo tempo reduziram a arrecadação. Portanto, repito as administrações públicas em geral, ao invés de criticarem a Lei de Responsabilidade Fiscal deveriam se adequar a ela, senão, ficarão a vida inteira tentando “justificar o injustificável”, efetuando cálculos para justificar o desmazelo (de alguns) no passado.

      1. Luiz Gonzaga Moreira diz:

        CORREÇÃO: “R$ 800mil/mês (mensal)”

      2. Luiz Gonzaga Moreira diz:

        CORRETO: R$ 800mil/mês (A MENOS)

      3. Caro Luiz Gonzaga,

        Em primeiro lugar, gostaria de dizer que admiro a sua forma cordial e elegante de expor seu ponto de vista.

        A LRF foi mesmo um marco importante, mais um legado fundamental do governo Fernando Henrique Cardoso. É importante notar, entretanto, que a responsabilidade fiscal é um princípio, um fundamento, um ponto de partida e que as administrações não devem se limitar a serem apenas responsáveis. São muitas as prefeituras responsáveis do ponto de vista orçamentário, porém medíocres do ponto de vista da priorização das políticas públicas. A administração contemporânea exige muito mais, exige criatividade, ciência (gestão baseada em evidência), agilidade, eficiência, eficácia, efetividade, entre muitos outros atributos.

        O problema não é exatamente ou simplesmente o volume arrecadado, mas a forma como é distribuído. Ainda que a Prefeitura arrecadasse R$ 1/mês, esse valor teria que ser alocado de alguma forma. Em uma democracia existe uma disputa constante sobre o que se fazer com os recursos públicos. Não se trata simplesmente de vencer uma eleição e decidir, é preciso debater com a sociedade, ouvir o legislativo, dar explicações. Isso se chama accountability. Quando a Prefeitura de Barroso vem a público com uma nota cujo título é “A Verdade”, ela tenta resumir o debate e simplificar de uma forma maniqueísta, pra não dizer desrespeitosa.

        O problema da saúde no Brasil passa pelo completo abandono financeiro do Governo Federal e deságua na obrigação dos municípios em financiar suas estruturas de saúde. Esse debate nem sequer estaria acontecendo se a Presidente Dilma não tivesse vetado na PEC 29 as obrigações da União. É cruel com as prefeituras, é caro, mas, até o presente momento, tem sido inevitável. A primeira lição em administração pública é: as escolhas são trágicas e os recursos são escassos. Dentro em breve nós, enquanto sociedade, vamos nos deparar com uma encruzilhada: ter ou não ter Hospital em Barroso. Se optarmos por ter, teremos que arcar com os custos de nossa escolha. Adianto, esta escolha não será barata e acarretará em privações de outras políticas. No frigir dos ovos, a Prefeitura de Barroso gastou com 5 dias de carnaval quase o mesmo tanto que irá gastar com 365 dias de hospital. Essa lógica, essa liberdade de escolha, está com os dias contados, a menos que venhamos a ampliar, e muito, nossa receita com os dividendos do boom da expansão.

        Atenciosamente,
        Antônio Claret

        1. Luiz,
          Um comentário seu no texto que trata dos precatórios pode ser muito valioso e esclarecedor para a população de Barroso.
          Att.,
          Antônio Claret

          1. Luiz Gonzaga Moreira diz:

            Caro Antônio Claret.
            Pra você e para alguns talvez não seja necessário, mas antes de divulgarmos dados técnicos dos precatórios se faz necessário esclarecer um pouco sobre o assunto. A Elizete Capelupi publicou, resumidamente, uma explicação simples e fácil de ser entendida. Tenho certeza que o leitor terá uma visão clara de sua origem, vejamos:
            Por Elizete Capelupi
            “O que são os Precatórios e qual a sua origem?
            Os precatórios são sentenças judiciais contra a fazenda pública, ou seja, são ordens judiciais para que a Administração Pública pague aquilo que deve a outrem as despesa devidamente liquidadas, porém não pagas pela Administração da época.
            Os precatórios podem ter sua origem na elaboração da peça orçamentária, pois ao superestimar a receita para acobertar um volume de despesas sem planejamento, gera dívida, ou melhor dizendo, gera Restos a Pagar sem disponibilidade de caixa para garantir seu devido pagamento. Prática muito comum antes do advento da Lei Complementar 101/2000 a Lei de Responsabilidade Fiscal. Os precatórios são exemplos da IRRESPONSABILIDADE FISCAL, pois o administrador público que não observa sua arrecadação para planejar sua despesa, demonstra a irresponsabilidade com o erário (dinheiro público). Destarte a LRF veio para justamente acabar, ou pelo menos, inibir esta prática, para que a Administração Pública equilibre suas contas e consequentemente obtenha Resultado Primário e Resultado Nominal(reserva para pagamento de dívidas) satisfatória, capazes de diminuir o déficit público e concomitantemente evite dívidas futuras. Embora a prática de gerar despesas sem disponibilidade de caixa tenha reduzido com a Lei de Responsabilidade Fiscal, alguns gestores ainda insistem neste procedimento, ou seja, não acompanham a execução orçamentária de forma a conduzir suas despesas conforme sua arrecadação; pois esta deve ser acompanhada diariamente e caso não se comporte conforme a previsão orçamentária, se faz necessária a limitação de empenhos, restringindo os gastos para adequar aos recursos disponíveis.
            Sendo assim enquanto houver Administradores Públicos ignorando os preceitos da Lei de Responsabilidade Fiscal, a “HERANÇA MALDITA PRECATÓRIA”vai se perpetuar, reduzindo a capacidade de investimento do Poder Público e consequentemente impedindo a distribuição de renda,pois os investimentos públicos (Obras Públicas) geram empregos e fazem a roda da economia girar, fator essencial para que um país alcance desenvolvimento econômico e principalmente desenvolvimento social.
            Com relação ao pagamento dos mesmos é necessário ainda mais equilíbrio das contas públicas, para que a Administração não paralise a máquina em conseqüência do cumprimento da obrigação de quitá-los; pois caso não seja efetuado o pagamento das parcelas mensais acordadas com O Tribunal de Justiça, este realiza o seqüestro de valores, podendo chegar até 100%l do FPM –Fundo de Participação dos Municípios devido ao município inadimplente. Portanto não há a hipótese do “DINHEIRO SUMIR”conforme dito por leigos no assunto.
            Para quem interessar ter conhecimento das parcelas pagas pela Prefeitura de Barroso pode consultar no site http://www.amver.org.br/contaspublicas/barroso.”

          2. Caro Luiz,

            Obrigado, novamente, pelo esclarecimento. O texto informa com precisão o que são os precatórios. Faz-se necessário, agora, uma análise e um esclarecimento sobre suas origens. Essa informação será importante até mesmo para que possamos dar aos administradores do passado a oportunidade de se justificarem perante a opinião pública.

        2. Luiz Gonzaga Moreira diz:

          Caro Antonio Claret.
          Na minha opinião a Lei de Responsabilidade Fiscal não se limita apenas na responsabilidade da gestão pública. É sim um dos seus principais objetivos. Tanto que em seu artigo primeiro, o qual traz o assunto principal da Lei, diz que a LRF estabelece normas de financas públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal com amparo da Constituição Federal. Diz ainda, que a responsabilidade na gestão fiscal pressupõe ação planejada e transparente em que se PREVINE riscos e CORRIGEM desvios capazes de afetar o equilibrio das contas públicas. Isto resume os seus 75 preciosos artigos, além de esclarecer a necessidade do acompanhamento da evolução da arrecadação e dos gastos públicos, ou seja, se em cada bimestre a arrecadação não for suficiente para suportar os gastos há necessitade de limitação de despesas (empenho) nos próximos bimestres. Se estas ferramentas forem utilizadas adequadamente, o gestor público certamente não encerrará o exercício e nem o mandato deixando dívidas sem disponibilidade financeira para sua quitação – a famosa herança maldita. Vale dizer, ainda, que os anexos de metas fiscais e riscos fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias tem o papel principal no controle da arrecadação e dos gastos indicando a necessidade de contenção de gastos no sentido de obter reservas para o pagamento de dívidas. Portanto, quanto mais gastos excessivos acontecerem na administração pública maior será a necessidade de cortes. Isto ocorreu no passado, talvez por pressão política, conforme falei na resposta anterior. Foram praticadas várias atitudes que provocaram a redução da arrecadação e aumentaram, exageradamente os gastos, criando novos PSFs, concursos públicos, etc., sem nenhuma estimativa de impacto orçamentário e financeiro no ano em que entraria em vigor e mais dois subsequentes, conforme determina a Lei de Responsabilidade Fiscal. Se isto não tivesse ocorrido no passado, talvez hoje, não só o Hospital de Barroso, mas todas as entidades, estariam recebendo os recursos em uma proporção maior. Estamos trabalhando com muita seriedade no sentido de recuperar a arrecadação perdida, conforme falei, chega a R$800 mil a menos a cada mês, isto porque o nosso trabalho proporcionou uma recuperação de aproximadamente R$250mil/mês. Realmente, a primeira lição em administração pública é: as escolhas são trágicas e os recursos são escassos “e geralmente desprezados”. Mas. com a continuidade do nosso trabalho, consciente e responsável, dentro de pouco tempo, dará a prefeitura condições de repassar mais verbas para as Entidades de Barroso. Aliás, se em janeiro deste ano tivesse havido mudança de governo municipal certamente a nova equipe estaria assumindo em uma condição muito mais confortável, graças ao nosso trabalho, o qual foi seguido utilizando as ferramentas da LRF.
          Quanto aos precatórios, prometo fazer um levantamento geral incluindo todas as dívidas existentes no município.

          1. Roberto Moura diz:

            Luiz Moreira,
            O trecho final da sua colocação é o suficiente para demonstrar a responsabilidade de quem pretende o melhor para cidade, o trabalho desenvolvido por vocês vem sido intensificado e espero que todos, incluindo partidos antagônicos entendam isso, pois administração da cidade consiste em conduzir tal para fruto de seus habitantes e não para avivar a famosa disputa política de “quem faz mais!”

    2. Caro Willian,
      Como você sabe, melhor do que eu, o planejamento orçamentário é feito com base na expectativa de receitas. Quando as receitas são superestimadas ou quando acontecem quedas imprevisíveis surgem problemas para arcar com compromissos.
      Na fase final do governo Arnô as subvenções foram garantidas com recursos (sobras) repassados pela Câmara Municipal. O mesmo aconteceu com parte das subvenções no ano passado. Espera-se que a Câmara volte a se posicionar assim neste ano também.

  8. Eduardo Araujo diz:

    Há muito tempo são as mesmas pessoas na administração da instituição……….Acho que é isso que tem que mudar!! Não estou dizendo nada, nem entre linhas sobre a administração que é boa (sempre que precisei fui muito bem atendido),mas em administração publica tem haver “giro” de comando.

    1. Willian Dantas diz:

      Concordo com você Eduardo, acredito que a única forma de mudar a política deste País, é ‘RENOVAR”, mas, como todos sabem, isto só acontecerá se os eleitores conscientizarem da importância do seu “voto” e saber em quem votar. O meu questionamento que foi feito antes do seu comentário, é no sentido de que todos têm que assumir as consequências das suas atitudes, e em Administração Pública não é diferente. Administração Pública é coisa séria e não são todos que estão aptos e preparados para esse encargo. Nos últimos anos a política de Barroso vem se resumindo em “promessas de campanha” e “ataques” a adversários políticos, e o povo aguardando os benefícios que uma administração responsável possa-lhes proporcionar. Mas no “frigir” dos ovos, o que acontece também não é diferente, são aqueles “hipócritas” quererem jogar a culpa das irresponsabilidades passadas naqueles que demonstram terem compromisso com a Administração!

      1. Roberto Moura diz:

        Longe de mim ser dono da verdade! Mas no meu ingênuo ponto de vista o artigo em epígrafe se refere a falha da administração municipal no que tange a dívida publica para com o hospital e não na administração do mesmo, sendo assim, acredito que em se tratando da coordenação do instituto, time que está ganhando não se mexe! Quanto ao comentário do nobre Willian Dantas sobre a conscientização do eleitor, “falou tudo meu caro”!

      2. Eduardo Araujo diz:

        Ok…..Mas a politica usa certos caminhos………se não acabar, não renova…Brasillllllllllllllllll

        1. Caros Eduardo, Willian, Roberto,

          O Instituto Nossa Senhora do Carmo possui uma particularidade: é uma instituição filantrópica. O fato de ser filantrópica circunscreve o valor, a missão e os objetivos da instituição. Em outras palavras, é a sua razão de existir. Para além dessa constatação, o fato de ser filantrópica também garante uma série de benefícios à mesma, inclusive legais e tributários. Se é bom para a instituição ter essa natureza, é bom para Barroso.

          Pois bem, o fato de ser filantrópica acarreta também em uma série de responsabilidades e obrigações. A primeira delas é a vedação ao seu Conselho e a seu Diretor Geral do recebimento de qualquer provento, subsídio, salário, recurso, nada! É um trabalho completamente voluntário e que, ao mesmo tempo, exige muita qualificação, responsabilidade e dedicação.

          Não é fácil encontrar voluntários para tocar o legado da instituição. Quando falamos do revezamento de poder para o cargo de prefeito, cuja remuneração se aproxima dos R$ 15 mil (valor até irreal se considerarmos o perfil profissional da maioria dos candidatos ou os padrões do mercado de trabalho no interior) não faltam candidatos. Revezamento no comando de instituição filantrópica é mais complicado.

          1. Roberto Moura diz:

            O fato do Instituto N. Sra. do Carmo ser uma unidade filantrópica não é novidade para mim e para muitos, porém, a maioria da população barrosense não têm ciência do abissal batente do diretor e dirigentes frente ao hospital. Admiro a forma imparcial (quem conhece sabe do falo) com que você explana sobre o aludido. Portanto, uma vez que você estimulou o assunto, creio que seria de grande valia divulgar essa observação sobre a dedicação dos administradores e funcionários, levando em consideração que o debate deu-se baseado no artigo sobre a subvenção, tratemos também de falar sobre algo que realmente merece aclamação. Acredito que o serviço caritativo realizado no hospital é um fato que também computa como ponto positivo para a receita do instituto. Tendo em vista o errôneo ato da prefeitura municipal para com o repasse de subsídio ao Hospital, é justo ressaltar a integridade de pessoas que fazem de tudo pra manter o estabelecimento em condições dignas de funcionamento.

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