Fichamento V: O Índice de Pobreza Multidimensional é robusto para diferentes pesos?

oxford

Pobreza Multidimensional

Fichamento V

OPHI – Oxford Poverty and Human Development Initiative

Novembro 2010

Is the Multimentional Poverty Index robust to different weights?

Sabina Alkire, Maria Emma Santos, Suman Seth, Gaston Yalonetzky

 

Em 2010 o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Relatório de Desenvolvimento Humano e o OPHI lançaram o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) que reflete múltiplas privações em educação, saúde e padrão de vida. O quão robusto este índice seria a diferentes escolhas feitas sobre seu design? Este trabalho mostra resultados de testes que mostram que os rankings de IPM são bastante robustos para uma série de mudanças plausíveis em seus pesos.

A decisão de estabelecer pesos iguais para as dimensões saúde, educação e padrão de vida emerge de diversas discussões, testes de robustez, bem como da opinião de analistas e de análises participativas.

Amartya Sen, entre outros, observa a necessidade de estabelecimento de pesos como uma fortaleza e não como um embaraço. Dada a diversidade legítima de valores, Sen argumenta que não há necessidade de acordo sobre um conjunto preciso de pesos: idealmente, a mensuração deveria ser robusta para um espectro de pesos.

O IPM é robusto para um espectro de diferentes pesos? Para testar essa hipótese, estimou-se o IPM utilizando três estruturas de pesos: i) conferindo 50% de peso para saúde; 25% para educação e 25% para padrão de vida; ii) conferindo 50% de peso para educação; 25% para saúde e 25% para padrão de vida; iii) conferindo 50% de peso para padrão de vida; 25% para saúde e 25% para educação. Então, verificou-se se os rankings dos países eram estáveis, utilizando-se quatro abordagens. Primeiro, calculou-se as correlações utilizando-se: Pearson; Spearman e Kendall. Em seguida, estimou-se a concordância, utilizando: Kendall e Dickinson-Gibbon (KDG); versão do ranking múltiplo do coeficiente de Spearman; o índice de concordância do ranking múltiplo de Joe(J); o famoso teste da independência de ranking de Friedman. Explora-se também a porcentagem de comparações de países pareados que são robustas para todas as estruturas de pesos e explora mudanças “largas” de rankings entre diferentes países.

Diferentes Estruturas de Pesos de IPM Testadas

 

A mudança no peso dos indicadores, de fato, afeta as estimativas de pobreza. Entretanto, o ranking de países gerado permanece estável.

Pearson (mínimo): 0.989

Spearman (mínimo): 0.981

Kendall (mínimo): 0.903

Comparação Pareada: Comparando as estimativas de IPM para todas as possibilidades de pares de países através de todas as estruturas de pesos, observa-se que em 88% do total de pares de países, um país tem maior nível de pobreza que outro, apesar do sistema de pesos.

Mudanças Largas no Ranking: Observação dos países que mudaram 10 posições ou mais. Dentre os 60 últimos países, apenas 5 alteraram mais de 10 posições. Três países (Gana; Zâmbia; Quênia); melhoraram suas posições quando o peso maior foi educação. Um país, Chade, melhorou de posição quando o maior peso foi dado à saúde. Costa do Marfim melhora sua posição quando o maior peso é dado ao padrão de vida. Dentre os 44 primeiros países, 14 tiveram alterações de colocação maiores que 10 posições.

Para além dos pesos, foram verificadas também a robustez de mudanças nos cortes de indicadores e dimensões utilizadas. Para testar tal hipótese, foram estabelecidos cortes de 20% e 40%. Observou-se que 95,5% de todas as possibilidades de pares de países se mantiveram, apesar dos diferentes cortes de pobreza. Isso sugere que o corte de 30% de pobreza não é uma escolha crítica que afeta o resultado de forma dramática. Os rankings são estáveis e robustos para um espectro plausível de valores.

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