ODM5: Melhorar a Saúde das Gestantes

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Artigo originalmente publicado no portal barrosoemdia.com.br em dezembro de 2011

 

O quinto Objetivo de Desenvolvimento do Milênio é melhorar a saúde das gestantes. Continuamos, portanto, focados no debate sobre a área temática da saúde em nosso município. As principais informações a serem consideradas quando se trata do ODM 5 são: i) taxa de mortalidade materna; ii) percentual de crianças nascidas vivas por número de consultas pré-natais; iii) percentual de crianças nascidas de mães adolescentes. A exemplo do ODM4 (Reduzir a Mortalidade Infantil), os indicadores relacionados à gestação também revelam uma situação de saúde muito positiva em Barroso. Nosso maior desafio, como veremos, é na questão do percentual de crianças nascidas de mães adolescentes.

 

A taxa de mortalidade materna máxima recomendada pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS) é de 20 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos. No Brasil, em meados da década passada esse valor era de 55,1, quantidade considerada muito alta. Em nossa região chamam atenção os níveis de mortalidade materna da cidade de Barbacena que desde 2007 vem registrando óbitos a uma taxa média de 99,5 mortes por 100 mil nascidos vivos. A cidade de Barroso se destaca positivamente neste quesito, pois desde 2007 não são registrados casos de óbitos maternos e, ao longo de toda a última década (2001-2010), apenas no ano de 2006 houve o registro de morte.

 

Na comparação com os municípios vizinhos e também com as cidades de São Caetano do Sul (maior IDH brasileiro) e Poços de Caldas (maior IDH mineiro), é possível afirmar, segundo os dados mais recentes, que Barroso é a única cidade onde, simultaneamente, 100% dos nascidos vivos tiveram partos assistidos por profissionais qualificados em saúde e onde o percentual de gestantes sem nenhum acompanhamento pré-natal foi de 0%.

 

Sobre a questão do pré-natal, o Ministério da Saúde recomenda, no mínimo, seis consultas durante a gravidez. Quanto maior o número de consultas pré-natais, maior a garantia de uma gestação e parto seguros, prevenindo, assim, a saúde da mãe e do bebê. Nesse quesito, Barroso possui um destaque muito relevante, não apenas no contexto regional, mas também nacional. A proporção de gestantes que realizaram 7 ou mais consultas pré-natais em Barroso foi de 84,2% em 2010, muito próximo da cidade de maior IDH do Brasil, São Caetano do Sul (85,2%), e muito à frente dos municípios vizinhos: Carandaí (62,8%); Prados (59,2%); Tiradentes (57,5%); Barbacena (55,9%); São João Del Rei (38,5%). A única cidade da redondeza a se situar também no patamar dos 80% é Dores de Campos (81%). É interessante notar que o sucesso da política de saúde pré-natal dessa cidade está fortemente relacionado com a estruturação do atendimento hospitalar local, pois as mães dorenses são referenciadas e realizam o acompanhamento pré-natal também no Hospital de Barroso.

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O mesmo desempenho positivo não é observado quando o indicador é o percentual de crianças nascidas de mães adolescentes. A cidade ocupa a penúltima posição dentre os municípios vizinhos, com um total de 17% de crianças filhas de mães adolescentes em 2010.  Apenas a cidade de Prados possui um percentual maior, 18,5%. Em Dores de Campos essa quantidade é de 11,6%. Para o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o percentual de mães com idades inferiores a 20 anos é preocupante. Na maioria dos casos, as meninas passam a enfrentar problemas e a assumir responsabilidades para as quais não estão preparadas, com graves consequências para elas mesmas e para a sociedade.

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As conclusões para o ODM5 são semelhantes àquelas alcançadas para o ODM4, a situação de saúde em Barroso, sobretudo no que diz respeito ao atendimento obstetrício-médico-hospitalar e ao acompanhamento pré-natal das gestantes, é excepcional. A saúde, nos principais indicadores analisados, vai muito bem, estamos muito à frente dos municípios vizinhos e ocupamos o mesmo patamar das melhores cidades em Desenvolvimento Humano do Brasil. É verdade que alguns desafios básicos permanecem, a começar pelo alto índice de gravidez na adolescência, mas já se torna possível e necessário que o município planeje estratégias de atendimento mais complexas à saúde, sobretudo hospitalar, com o objetivo de pleitear o espaço merecido de liderança regional nessa temática.

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2 Comments Add yours

  1. Luciano Napoleão diz:

    Lamentável é que todo estudo em saúde é focado em números, resultados e programas com nomes pomposos e carinhosos no que se refere a gestantes e nascituros. Entretanto, o problema maior que é o financiamento do sistema de saúde nas três esferas de governo é uma lástima. O SUS não reajusta a tabela de procedimentos médico-hospitalares desde 1993 com óbvia defasagem que já beira os 4.000%. Todo programa governamental sempre traz nomes bonitos, mas NUNCA verbas para remunerar os profissionais que, efetivamente, realizarão o trabalho. O mãe cegonha do governo federal promete R$ 50,00 para cada gestante que fizer consulta pré-natal por mês, e o SUS paga R$ 2,04 para o médico atendê-la. Absurdo total. Barroso, elogiado no artigo acima, remunera médicos obstetras de maneira miserável, sem reajuste há 8 anos. Mas o que fica são números, artigos e nomes pomposos. Não sem motivo estou abandonando o serviço público de saúde.

    1. Tem toda razão. O problema do financiamento da Saúde no Brasil tem sido completamente negligenciado. É um verdadeiro escândalo. Até quando?

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