Drogas: por uma nova visão sobre o problema

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Artigo originalmente publicado no portal barrosoemdia.com.br em agosto de 2011

A peça teatral “Te quero como queres, me queres como podes” que fez parte da programação inicial do II FesteBarroso teve como tema um dos maiores dramas da atualidade: o consumo de drogas. Essa problemática desafia a sociedade, atinge a todos sem distinção de classe social e está na raiz de uma série de outros problemas correlatos, como a violência urbana, por exemplo.

Considerando a gravidade da questão não é nenhum exagero afirmar que estamos ainda longes de uma solução razoável. O mundo inteiro, desde a década de 1970, esteve envolvido em uma estratégia comum de enfrentamento da questão. Essa estratégia, liderada pelos Estados Unidos e denominada “Guerra às Drogas”, consiste no envolvimento das forças policiais e militares para suprimir o tráfico.

Hoje, passados 40 anos do início dessa ofensiva, sabe-se que tal estratégia não deu certo. O consumo no mundo inteiro só fez aumentar e os tipos de drogas disponíveis estão cada vez mais agressivas, haja vista o crack. A falha desse modelo encontra-se basicamente no fato de combater a oferta e esquecer-se da demanda. O resultado são cadeias cada vez mais cheias, jovens continuando a se aventurar no tráfico de olho nos lucros fáceis e usuários abandonados à própria sorte.

Para transformar esse panorama, uma onda revisionista começa a elevar sua voz. Sob a liderança intelectual de personalidades como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o médico Dráuzio Varela, a sociedade começa a quebrar alguns tabus que envolvem a questão. A principal transformação refere-se à forma de se encarar o problema, sugere-se valorizar a prevenção e olhar para o usuário como um dependente químico que necessita de tratamento especializado e não como um criminoso que merece ir para a cadeia. Nessa direção, a proposta é canalizar os recursos das políticas sobre drogas para instituições de tratamento e prevenção, bem como para serviços de apoio às famílias e para o Sistema de Saúde. A ideia é abrir novas frentes, enfrentando o problema principalmente pelo lado da demanda, observando-o mais como uma questão de saúde pública e menos como uma questão de polícia.

Nesse novo paradigma o usuário tende a ser observado de forma menos preconceituosa, tende a situar-se melhor na família e na comunidade e a encontrar caminhos mais seguros e garantidos para fora do mundo das drogas. É fato que a partir do momento em que Estado e Sociedade se unirem em uma aliança pela vida, todos aqueles que vivenciam o flagelo das drogas saberão que não estão sozinhos e encontrarão a liberdade necessária para exporem seus problemas e compartilharem coletivamente a solução.

Não é nenhuma novidade para aqueles que acompanham o noticiário que as drogas têm se tornado uma epidemia nacional. Até mesmo no interior, e inclusive em Barroso, todos os tipos de drogas estão presentes, estando disponíveis a um número cada vez maior de potenciais usuários. O problema é grave e a sensação que estamos perdendo essa disputa é desanimadora. É chegada à hora de tentarmos novas estratégias, sobretudo valorizando ainda mais a prevenção ao uso e tratando de forma diferenciada os usuários.

Essa nova proposta de enfrentamento depende da ação do Estado e depende de novos investimentos em saúde e assistência social, mas depende, sobretudo, de uma mudança cultural profunda. É preciso que todas as pessoas enxerguem os usuários de drogas como indivíduos que necessitam de ajuda e ofereçam a eles o suporte social necessário para que vençam a dependência e se libertem do mundo das drogas.

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