Minas Pensa o Brasil

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Nesta segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013, o PSDB-MG deu início ao ciclo de debates “Minas Pensa o Brasil”. O evento, que deve se repetir nos próximos meses, tem por objetivo instigar reflexões profundas sobre os rumos do país, além de servir de base para a plataforma de governo da candidatura do Partido ao Palácio do Planalto no próximo ano.  A palestra magna de abertura foi proferida pelo ex-presidente e presidente de honra e líder máximo do Partido, Fernando Henrique Cardoso.

O evento contou ainda com a presença do Governador Anastasia, do Senador Aécio Neves, além de dezenas de deputados federais e estaduais de diversos partidos da base e dos estados de Minas Gerais e São Paulo. O auditório principal ficou completamente tomado pelos partidários do interior e da capital e uma tenda foi instalada do lado de fora para o acompanhamento do público. Apesar do clima de euforia da militância e do assédio da imprensa pela antecipação da disputa eleitoral, não faltou serenidade à análise que Fernando Henrique fez do cenário contemporâneo e dos caminhos do Brasil e do mundo.

Na visão do presidente, as nuvens escuras da crise internacional de 2008 já começam a se dissipar e o mundo ensaia um novo momento de crescimento, novamente, a partir da liderança americana em termos de inovação, tecnologia e energia. Nesses quesitos, em especial no quesito energia, o Brasil tem ficado para trás. A péssima gestão da Petrobrás manchou a imagem de empresa modelo e o abandono da estratégia do álcool tem causado prejuízos às apostas feitas pela indústria e sociedade brasileiras no passado recente. Vale notar que os carros flex já não são abastecidos com álcool há alguns anos e que o país chegou ao extremo absurdo de importar álcool combustível dos Estados Unidos, nosso antigo “rival” na disputa pela exportação “solução álcool” para o mundo.

Os anos pós-crise 2008 têm sido também anos de incerteza sobre os rumos macroeconômicos do país. Segundo o presidente, o Brasil seguiu o plano de vôo traçado pelo governo social democrata, desde meados da década de 90 até o segundo governo Lula. Após o período da crise internacional, que coincide com o governo Dilma, o país vem, aos poucos, abandonando o tripé econômico e aceitando um pouco mais de inflação. Nesse (des)caminho, as ações do governo parecem cada vez mais improvisadas, o que reduz a confiança dos investidores e ameaça o crescimento e a estabilidade.

No plano social, o atual governo segue a prática de cooptação dos movimentos sociais, inclusive com financiamento de atividades desses movimentos. Segue também a prática de não se posicionar, ou de não informar de maneira clara sobre seu posicionamento, em importantes questões, como a agenda ambiental e a disputa dos estados pelos royalties do petróleo. Quando se posiciona ou quando estrategicamente se omite, o partido do governo deixa transparecer a vontade de regulação da mídia e de desqualificação de instituições, como o Supremo Tribunal Federal, ao melhor estilo Cristina Kirchner.

Na política externa, Fernando Henrique frisou que os demais países das Américas estão avançando em acordos bilaterais e transatlânticos e que o Brasil tem ficado circunscrito a um Mercosul cada vez mais fraco e pautado pela Argentina. No que se refere à atração de investimentos e à privatização de importantes setores da economia, como portos, aeroportos e estradas, o presidente destacou que o resquício de “poeira ideológica” impede que o Governo Federal assuma de fato esta diretriz e que, conseqüentemente, estabeleça com mais clareza, transparência e segurança as regras de concessão.

Antes de terminar sua fala o presidente ainda destacou alguns avanços do atual governo, como a redução dos juros e a ampliação das políticas de transferência de renda, criadas em seu governo. Ele, entretanto, lamentou a falta de humildade e de reconhecimento das lideranças do atual governo, que insistem em negar o passado e em observar a história recente do Brasil em perspectiva distorcida.

Para o futuro, Fernando Henrique observa a necessidade de um novo modelo de gestão, ética e cidadania para o Brasil. Destaca-se a urgente necessidade de aprimorar a qualidade do ensino público, com destaque especial para o ensino básico. A necessidade de aprimorar o sistema de saúde para que as pessoas sejam tratadas com mais dignidade. A necessidade de realização de reformas estruturais. A necessidade de uma nova estratégia para lidar com o problema das drogas, a partir da descriminalização do uso. A necessidade de atenção especial à agenda ambiental, com investimentos e incentivos a novas tecnologias. A necessidade de garantir mais igualdade, tanto de gênero quanto racial. A necessidade de garantir a provisão de serviços públicos essenciais para uma população que, aos poucos, observa o crescimento de seu poder aquisitivo, porém, que continua sem saneamento básico, água, luz, asfalto, transporte, educação, saúde, etc.

O PSDB é um partido de vanguarda, com capacidade de modificar e reformar estruturas e padrões há séculos arraigados e prejudiciais ao país, com habilidade para inovar e talento para inventar e antecipar tendências. Um partido democrático, que busca o diálogo e a parceria com a sociedade e não a hierarquia e a cooptação. Não se espera do Partido contemporização e procrastinação e, portanto, amor ao poder pelo poder. Não se espera do Partido enormes coalizões à base da criação de cada vez mais ministérios. Não se espera do partido a ingenuidade de acreditar que o Brasil já é um país desenvolvido e sem desigualdade. Espera-se do PSDB a liderança necessária para combater o bom combate e a luta imprescindível para desarmar esquemas que seguram o país no atraso e que insistem em atravancar o seu desenvolvimento sustentado.

 

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5 Comments Add yours

  1. Excelente texto, Antônio!
    Não pude comparecer ao evento, li algumas reportagens, mas seu post elucidou bem o que aconteceu.
    Parabéns!
    Pelo texto, pelo blog, pelo seu trabalho.
    Beijos,
    Vivi

    1. Oi Vivi,
      Um elogio ao meu blog vindo de você, doutora em redes sociais, é muito especial. Muito obrigado. Saiba que a admiração é recíproca, também acompanho o seu trabalho de pertinho e vibro muito com ele.
      Beijo!
      Antônio

  2. Antonio, como sempre sói ocorrer nas suas análises, você equilibra uma síntese muito bem escrita sobre a palestra do Presidente Fernando Henrique com opiniões firmes e bem fundamentadas acerca dos temas abordados. Sorte do PSDB contar com quadros tão qualificados e dispostos ao bom combate como você.

    Abraço!

  3. Juliana Winther diz:

    Antônio,
    adorei o texto, obrigada por compartilhar!
    Grande abraço,
    Ju

    1. Olá meus amigos Ju e Enrique,
      Muito obrigado pelos comentários de vocês, muito bom saber que estão acompanhando o blog.
      Abração,
      Antônio

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