Tragédias nas estradas

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Artigo originalmente publicado no portal barrosoemdia.com.br em fevereiro de 2011

O final do verão tem sido trágico para nós barrosenses, nossos vizinhos e todos aqueles que trafegam pelas estradas da região. A BR-265 foi palco de muitos dramas ao longo do último mês. Diversos acidentes aconteceram em um período muito curto de tempo, deixando muitos feridos e mortos. Essa situação provocou a indignação de muitas pessoas que postaram seus comentários aqui no site e daqueles que organizaram um protesto pacífico no último dia 20 nas proximidades da comunidade do Bananal.

No Brasil moderno nunca existiu um modal de transportes que fizesse frente ao rodoviário. Ainda nos anos 50 e 60 houve um estímulo extraordinário à indústria automobilística, mesmo período de construção da maior parte de nossas estradas. De lá para cá, o traçado e o modelo das rodovias tornaram-se obsoletos e a frota de automóveis multiplicou-se diversas vezes, além disso, os carros tornaram-se mais velozes e o desenvolvimento econômico impulsionou a presença de centenas de milhares de caminhões nas estradas.

Essa combinação de caminhões e carros velozes, em traçados ultrapassados, somada, muitas vezes, à imprudência e falta de educação dos motoristas resulta em nossa maior tragédia. Segundo a ONG SOS Estradas, todos os dias acontecem cerca de 720 acidentes nas estradas brasileiras, uma média de 1 a cada 2 minutos, vitimando 65 pessoas por dia e deixando centenas de feridos.

ESTIMATIVA DOS ACIDENTES E VÍTIMAS NAS ESTRADAS BRASILEIRAS PAVIMENTADAS

RODOVIAS

ACIDENTES

MORTOS

FERIDOS

VÍTIMAS

Federais(1)

104.863

5.780

60.326

66.106

Estaduais (2)

134.240

6.156

77.744

83.900

Municipais (3)

24.960

1.200

14.400

16.600

TOTAL (1)+(2)+(3)

264.063

13.136*

152.470*

166.600

Fonte: SOS Estradas

Nas últimas décadas muito foi feito para amenizar essa situação. Em meados dos anos 90, antes das reformas do Código de Trânsito Brasileiro, coisas que hoje parecem triviais, como a utilização do cinto de segurança, ainda não faziam parte da nossa cultura. Outro marco importante foi a Lei Seca, que conseguiu reduzir os índices de acidentes em praticamente todos os estados brasileiros.

Apesar dessas melhorias, é preciso fazer ainda muito mais. Os últimos acidentes na região chamam atenção para o fato de continuarmos com índices absurdos de desastres em nossas estradas. Para além da questão educativa, que é fundamental, é preciso também que se façam investimentos para correção das estradas. Existem locais onde os acidentes são muito recorrentes, um exemplo é o trecho do quilômetro 215 da BR-265. Episódios de aquaplanagem são muito comuns no local e parecem ter tido influência decisiva nos acidentes que vitimaram 6 pessoas este mês.

Para que essa realidade mude, é fundamental o envolvimento de todos, é preciso protestar, como fizeram as pessoas do Bananal, e chamar a atenção das autoridades para esse verdadeiro genocídio. Em Barroso – onde acidentes recentes também vitimaram pedestres na Av. Genésio Graçano – será implantado o Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (COMUT), espaço que estará aberto à participação de associações da sociedade civil e terá por objetivo discutir e deliberar sobre todas as questões de trânsito do município. As discussões e a provação da Lei que cria o COMUT acontecem no próximo dia 4 de abril no Plenário da Câmara Municipal. Esse Conselho é uma oportunidade ímpar para que a sociedade possa fazer diferença em uma área tão importante.

—–

O genocídio continua nas estradas brasileiras e as estatísticas ainda permanecem alarmantes. Após a publicação deste artigo aconteceram ainda muitos outros acidentes com vítimas nas proximidades de Barroso, na BR-265.

A boa notícia foi o fortalecimento da Lei Seca em dezembro de 2012, com a elevação do valor da multa para cerca de R$ 2.000,00 e a possibilidade de utilização de outras provas (vídeos e testemunhas) para conferir a multa.

A má notícia foi a completa negligência, por parte do Executivo Municipal, do COMUT. O Conselho chegou a ser criado em abril daquele ano, porém sua composição e a convocação de suas reuniões nunca aconteceram.

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