O Rio das Mortes quer viver

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A Semana do Meio Ambiente, organizada pelo Colégio Politécnico, Instituto Holcim, Secretaria de Meio Ambiente e Instituto Linneaus foi um marco importante nas discussões de sustentabilidade em Barroso. Através de uma programação intensa, com teatro, debates, exposições, palestras e aulas, a Semana conseguiu dar destaque a alguns temas relevantes de nossa agenda ambiental. Dentre as questões centrais dessa agenda, debatida com exclusividade por uma das mesas redondas, na qual tive a oportunidade de ser expositor, destaca-se a problemática do Rio das Mortes.

O principal rio que corta a cidade vem sofrendo agressões sistemáticas há décadas. Essas agressões, que não são exclusividade dos barrosenses, estão paulatinamente retirando a vida do Rio das Mortes. O estrago é de tal ordem que já não é mais possível falar apenas de conservação e preservação, é preciso que se fale agora de recuperação e reflorestamento da mata ciliar. Para se ter uma dimensão do desastre ambiental basta percorrer o rio utilizando a ferramenta do Google Earth. O que facilmente se observa é a figura de um rio agonizante, sem suporte de flora e fauna que o envolvam, cercado por cidades que o invadem e cada vez mais erodido e envenenado.

O fato é que o rio nunca foi tratado como tema central do debate político e social. Foram raros os momentos em que a sociedade se escandalizou com a situação, o que ocorreu geralmente em ocasiões extremas, como a mortandade de peixes. Do ponto de vista da administração pública, a criação da Secretaria de Meio Ambiente pouco representou de mudança efetiva desta realidade e a cidade desperdiçou e continua desperdiçando oportunidades de impactar positivamente na qualidade ambiental do rio e suas margens.

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Sabe-se que uma atitude isolada no município de Barroso não trará a solução completa para o problema. É fundamental uma ação coordenada dentre todos os municípios pelos quais passa o Rio das Mortes. Essa ação, entretanto, carece de liderança, liderança essa que só pode ser exercida por aquele município que conseguir cumprir com sua tarefa de recuperar, em seus domínios territoriais, a qualidade ambiental desse bem público compartilhado. Cuidar do rio internamente significa ter a envergadura moral necessária para cobrar externamente o compromisso das outras cidades.

Barroso precisa traçar uma estratégia nessa temática. Essa é uma questão ambiental extremamente importante, para a qual não existem respostas fáceis e imediatas. Apesar da complexidade do problema, entretanto, a sociedade, o empresariado, a indústria e os poderes públicos permanecem completamente inertes. É preciso agir imediatamente para revitalizar o entorno do rio e garantir a qualidade da água, convidando a população para viver e se identificar com esse bem coletivo, preservando e promovendo uma verdadeira simbiose entre os seres humanos e os seres vivos não humanos.

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