Educação em Barroso

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Artigo originalmente publicado no portal barrosoemdia.com.br em fevereiro de 2011

O ano letivo iniciou nesta semana e, como sempre, trouxe desafios consideráveis para toda a sociedade no que se refere à melhoria da educação. Esse é provavelmente o tema mais sensível no debate político, afinal, existe um consenso absoluto sobre seus efeitos benéficos em todos os campos da existência humana. A boa qualidade do ensino está diretamente relacionada à saúde de qualidade, melhores salários, mais e melhores empregos, menores índices de violência entre diversos outros efeitos positivos.

Apesar do consenso absoluto sobre sua importância, o fato é que a educação continua indo mal no Brasil. Segundo estudos da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) no início dos anos 2000, metade dos jovens abandonava a escola e mais de 60% dos adultos brasileiros eram analfabetos funcionais, sendo 10% desses completamente analfabetos. Como forma de enfrentar esse quadro, o Governo Federal empreendeu algumas iniciativas de extrema relevância. A primeira delas foi expor e admitir o problema. Desde 2000 o Brasil passou a fazer parte de avaliações internacionais sobre educação e a desenvolver suas próprias ferramentas. Hoje temos uma gama de exames (IDEB; ENEM; ENAD; PISA) que nos colocam entre os primeiros países do mundo em termos de estatísticas educacionais. A segunda foi implementar o bolsa escola, hoje bolsa família, política que fornece incentivos financeiros para manter as crianças na escola e que ataca com muita eficácia o problema da evasão escolar. A terceira foi a criação dos Fundos de Educação, que garante importantes somas de recursos para a Educação Básica e Fundamental. A quarta foi a garantia constitucional para o percentual mínimo de investimento na Educação por parte de Estados e Municípios.

Os primeiros passos foram dados. Ainda que a evasão continue a ser um desafio (especialmente no ensino médio), atualmente já se pode dizer que é uma batalha que vem sendo vencida, inclusive apoiada por outras iniciativas mais recentes, tais como o Projovem e o Poupança Jovem. É a qualidade do ensino que permanece como o principal problema. Nossas crianças e jovens estão na escola, mas não estão aprendendo como deveriam. Nesse aspecto, as estatísticas mostram mudanças muito tímidas, continuamos muito longe dos países da OCDE e, em 10 anos, saímos da condição de desastre total para uma situação ainda sofrível no ensino (português; matemática; ciência).

gráfico educação 1

Essa realidade só vai começar a mudar a partir do engajamento dos municípios. Pela divisão federal de responsabilidades educacionais fica a cargo das cidades o ensino básico, ou seja, justamente o período mais importante da educação, onde os alunos desenvolvem as capacidades fundamentais de compreensão textual e habilidades matemáticas que levarão para toda a vida e utilizarão para compreender as disciplinas mais complexas nos níveis posteriores de ensino.

Nesse aspecto, cada município precisa assumir a sua parcela de responsabilidade na construção de um Brasil mais próspero na educação e Barroso, felizmente, tem feito o seu dever de casa. No governo passado foi desenvolvida uma política de educação básica, através da implantação do Sistema Positivo de Ensino, que pode ser considerada a iniciativa pública mais relevante empreitada pela Prefeitura nos últimos 10 anos. Os resultados dessa política alavancaram a qualidade do ensino básico na cidade, expressa pelo rendimento excelente dos alunos no IDEB de 2009.

O IDEB é um índice que combina o rendimento escolar às notas do exame Prova Brasil, aplicado a crianças da 4ª série, podendo variar de 0 a 10. Em 2007, a nota de Barroso era 4,9, no mesmo patamar de nota (4) estava também a maioria das cidades do nosso entorno, sendo que as melhores posições eram das cidades de São João Del Rei (5,3); Dores de Campos (5,3) e Prados (5,1). Passados dois anos, pela primeira vez fizeram a prova do IDED os alunos que estudaram no Sistema Positivo desde a 1ª série e os resultados foram bastante significativos. Barroso passou a ocupar a 178ª posição na educação básica, entre os 5.564 municípios brasileiros. A nota dos alunos barrosenses saltou para 6,2 e a cidade já é primeiro lugar, ao lado de Carandaí, dentre todos os vizinhos (Barbacena – 5,9; São João Del Rei – 5,8; Prados – 5,8; Dores de Campos – 5,8; Santa Cruz de Minas – 4,9; Tiradentes – 4,9; Ibertioga – 5,7).

gráfico educação 2

No mesmo ano em que foram publicadas as boas notícias para a educação do município, foi também abolido o Sistema Positivo nas escolas públicas. A cidade perdeu seu diferencial e voltou a adotar o material didático do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), sistema mais básico e comum aos municípios brasileiros. Se abolir o modelo anterior foi uma iniciativa inteligente da atual administração, só os resultados dos próximos IDEB vão provar.

A liderança de Barroso na educação é a demonstração de que a interferência do poder público municipal é fundamental para quebrarmos o ciclo de decadência no ensino público. Essa melhora tende a gerar efeitos multiplicadores sobre os níveis de ensinos superiores e sobre a toda a sociedade barrosense, colaborando decisivamente para a solução de uma série de outros problemas crônicos. As notas do IDEB de 2009 são a demonstração de que o sistema anterior deu resultados positivos de verdade. O futuro, porém, é incerto, ainda que as notas melhorem – fato natural para todos os municípios, independente do sistema – a expectativa é de que Barroso mantenha sua liderança e vanguarda educacional, ampliando as perspectivas de cidadania para nossas crianças e ajudando a construir um país melhor.

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A previsão que havia feito neste texto (melhora natural da nota de Barroso no IDEB) não se confirmou. Pelo contrário, os dados divulgados em 2012 revelam que a nota piorou.

Resultados:

IDEB
– Entre 2007 e 2009 houve uma melhora de patamar 4 (4,7) para patamar 6 (6.0).
– Entre 2009 e 2011 houve uma piora, de patamar 6 (6.0) de volta para patamar 5 (5.7);

PORTUGUÊS (Nota da Prova Brasil):

– Entre 2007 e 2009 MELHORA (175 → 209)

– Entre 2009 e 2011 PIORA (209 → 201)

MATEMÁTICA (Nota da Prova Brasil):

– Entre 2007 e 2009 MELHORA (204 → 246)

– Entre 2009 e 2011 PIORA (246 → 236)

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