Sobre Mulheres no Poder

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Artigo originalmente publicado no Portal barrosoemdia.com.br em janeiro de 2011

Em 1949, no auge no movimento feminista, Simone de Beauvoir cunhou uma expressão que se tornaria célebre para a luta no campo de gênero: “não se nasce mulher: torna-se mulher”. A partir dessa expressão e através de sua filosofia, Beauvoir quis afirmar que a posição de subordinação da mulher era fruto de condições históricas e culturais, portanto, passível de transformação. Passadas décadas desde o surgimento do movimento feminista, o Brasil elege sua primeira mulher presidente e Barroso elege sua primeira mulher presidente da Câmara, completando aqui o comando feminino dos três poderes.

 

Essas conquistas possuem um valor simbólico muito significativo, pois sinalizam às mulheres que o lugar delas é também nos postos mais altos de comando, tanto na política, como também nas empresas e organizações. Esse sucesso, entretanto, não consegue esconder obstáculos e dificuldade que a mulheres, em geral, seguem encontrando para vencerem na vida. Elas avançam na busca pela igualdade na esfera pública, porém encontram dificuldades em compartilhar responsabilidades, sobretudo familiares, com os homens. Ainda existem desafios enormes a serem enfrentados no que tange a violência doméstica; saúde da mulher; planejamento familiar, dupla jornada de trabalho, entre outras.

 

Sobre as muitas amarras que prejudicam as mulheres na hora de competir por posições no mercado, o Estado pode e deve atuar no sentido de dirimi-las, sendo seu papel apoiar as mulheres na busca pela emancipação. Existem políticas específicas que figuram no topo das prioridades para o gênero feminino, como a criação de creches; restaurantes populares; lavanderias comunitárias, delegacias especializadas, licença maternidade, entre várias outras iniciativas que contribuem para desonerar o serviço doméstico e ampliar o poder de decisão delas sobre suas vidas e destinos.

 

No Brasil, nos últimos 10 anos, uma série de iniciativas tem contribuído para aprimorar a situação da mulher. Essas iniciativas vão desde o Programa Bolsa Família (pago diretamente às mães) até às políticas do Sistema Único de Assistência Social, como a criação dos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS). Em Barroso, a iniciativa mais importante dos últimos anos foi a criação das creches municipais, iniciada na gestão passada (2005-2009) e mantida na atual administração (2009-2012). Outra iniciativa importante foi o programa de distribuição do leite às famílias carentes. Esse, porém, foi desmantelado em 2009.

 

Agora em 2011, a cidade e o país inauguram uma nova etapa de conquistas feministas. Se os ganhos simbólicos são incontestáveis e já inspiram milhares de mulheres barrosenses e milhões de brasileiras, é ainda preciso avançar muito em termos de políticas públicas. A sociedade espera das novas e antigas lideranças maior pragmatismo para fazer valer os interesses das mulheres. A justiça e a igualdade dependem de uma relação mais harmônica entre os dois gêneros, e essa relação será fruto de uma maior liberdade e autonomia deste sexo nada frágil.

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Entre 2011 e 2013 alguns episódios marcantes elevaram ainda mais o poder feminino em Barroso. Em 2012, pela primeira vez um pleito municipal contou com uma maioria de mulheres concorrentes ao Executivo (2×1). Ao final do processo, uma mulher saiu vencedora (Eika) e outra (Deléia) foi eleita a Vereadora mais votada da história do município. Essa representação, entretanto, ainda não se transformou em ganhos de bem estar e empoderamento para a mulher barrosense. Como veremos nos próximos textos, em especial no artigo ODM3, a situação da mulher no mercado de trabalho local é uma das piores da região. Soma-se à precariedade do trabalho, uma sensação crescente de insegurança das mulheres, em especial após o episódio da morte bárbara da jovem Eloíza no último mês de dezembro.

 

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One Comment Add yours

  1. Maureliano Kuner Ladeira diz:

    Legal o texto Antônio! Não vi a veja com a referencia machista a presidenta Dilma, mas dia 19 entrei em contato com uma empresa estatal para tratar de assuntos profissionais e ao ser atendido pelo chefe de gabinete, mal me apresentei e ele já veio falando que no Brasil todo mundo é mentiroso e “que a Presidente Dilma fala mentira na cara de todos”.
    Por seu posto e sua representatividade espera alguém mais calmo e educado e por eu não ter ligado pra ele falar mal de alguém. A um terrorismo institucional e as fêmeas estão em sua lista. Até a Sr.Democracia esta sendo alvejada para atender interesses distantes e ameaçantes da realidade de nossa. Sobre as mulheres, respeite as senhoras e valorize as jovens. Como todas as vidas. Boa sorte Antonio.

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